terça-feira, 14 de setembro de 2010

Além do medo

Lendo um texto do livro “Emoções” da Bel César ( mãe de Lama Michel), encontrei a explicação que SS Dalai Lama dá para nirvana, nyang-de em tibetano:
“além da mágoa” que no contexto dos estudos da filosofia budista seria ir além do que provoca aflições da mente.

As aflições da mente provocam o estado de angustia; esse estado se caracteriza pelos medos que atormentam permanentemente.
Então alcançar o nirvana, estado de felicidade que todos almejam, seria ir para além dos medos.

Medo é a sensação de uma hipótese de desastre.
Sentir medo é comum a todo ser humano saudável; mas se deixar paralisar por eles é o que precisa ser transformado.
Cada vez que nos deixamos aprisionar pelos medos, nos defendemos das ameaças, mas também perdemos oportunidades
de experiências interessantes e reais que enriquecem o dia-a-dia.

Que medos sentimos?

Medo do fracasso
Medo de fazer coisas erradas
Medo da incerteza do futuro
Medo das punições
Medo das despedidas
Medo das criticas
Medo dos desafio
Medo da morte
Medo de perder
Medo de desagradar
Medo da mudança
Medo da imperfeição
Medo da solidão
Medo da pobreza
Medo da doença
Medo do corpo
Medo das ameaças
Medo de não sentir prazer
Medo da impotência
Medo da opinião dos outros
Medo de ter ou não ter filhos
Medo de se mostrar
Medo das pessoas
Etc etc etc

E o pior:
Medo de sentir medo.

Então... veja que bonito este trecho do mesmo livro:

“Cada vez que formos capaz de interiorizar e escutar nosso medo estaremos amadurecendo nosso potencial de coragem.
Ao reconhecer o medo diga a si mesmo:
_ Eu já te conheço e sei para onde você me leva, não quero mais te seguir.
Concentre-se, então, na intenção de expressar sua vocação(para o que você veio).E finalmente lembre-se: nem tudo que é aflitivo acontece –
90% dos nossos medos são hábitos, idéias preconcebidas. Mova-se para o futuro e confie nele!”



Somos os autores da nossa vida
Como sempre, depende principalmente do nosso esforço pessoal fazer acontecer as mudanças na vida

terça-feira, 7 de setembro de 2010

De quem é a culpa?

*quem me fez passar por isso?
*quem é o culpado do meu problema?
*como posso mostrar que sou uma vítima injustiçada?
*ajudei tanto, por que agora estou sozinha(o)?
*como posso punir quem me traiu?
*por que os culpados parecem não receber castigos?
*por que comigo?
*por que não recebo o amor e a compreensão que mereço?
.....................................
Assim os tolos indagam.

Seria muito mais fácil encontrar os culpados.
Culpar os outros pelas frustrações é cômodo, muito cômodo, mas não resolve; só mascara ou deforma a realidade.

Essas perguntas disfarçam a verdadeira origem da dificuldade.
Somos co-responsaveis por tudo que vivemos, porque tudo que vivemos foi resultado de uma escolha pessoal.
Nem que tenha sido de escolher não mudar, de não escolher ou de aceitar a orientação do outro.
Isso vale pela escolha de uma refeição, um médico, uma viagem, uma decisão, uma filosofia de vida, um estilo etc.


Perguntas mais inteligentes e que realmente levam a solução, são peguntas corajosas:

*O que posso fazer para me livrar dessa aflição ?
*O que tenho feito para evitar aumentar o problema?
*Quem pode me ajudar?
*Qual minha responsabilidade no estou passando?
*Será que foi meu comportamento que provocou essa reação das pessoas?
*Como será que incentivei exatamente a forma como estou vivendo?
*Quais sementes plantei nos outros para que a vida chegasse desta forma?

Chegando perto das respostas fica mais fácil fazer as mudanças.

Sabe porque?
Porque é possível perceber como provocamos as sementes negativas nos outros;
ninguém gosta de ser permanentemente:

esnobado
criticado
testado
ameaçado
comparado
julgado
seduzido

A vida nos trata como nós a tratamos.
Nunca é tarde para perceber isso!

Sabe aquele velho ditado?

trate bem as pessoas na ida porque as encontrará quando voltar!!!!!!!!!!!!!!!É toda a verdade.


Como sempre, depende principalmente do nosso esforço pessoal fazer acontecer as mudanças na vida

terça-feira, 31 de agosto de 2010

E se alegria é a felicidade?

Quem não sorri está doente; quem não sorri é doente de amor ou doente da vista,
amor por si mesmo e visão com alegria.
Amor por si mesmo é construído regando e valorizando as sementes dos potenciais pessoais.
Reconhecer essas sementinhas é um trabalho diário.
O resultado dessa “pesquisa” é a auto-confiança para enfrentar desafios; às vezes, durante uma lua negativa, é necessário até um profissional para essas descobertas.

Auto-confiança é amor por si próprio e é a ferramenta principal para conseguir uma visão alegre para a vida.
Alegre... não eufórica.
Euforia é instável; alegria mais estável.
Alegria pela vida não é auto-engano.
Alegria é a forma positiva de olhar a vida, suas situações, seus sustos, perdas e ganhos.

Alegria é uma filosofia de vida.
Uma filosofia de vida é uma escolha.
Alegria é condição essencial da paz verdadeira.

O sorriso faz parte também do diagnostico médico, principalmente na psicologia e na psiquiatria, tanto no início da vida, da infância, juventude, maturidade e no ocaso da vida.

Começar sorrindo para si mesmo é o início da busca genuína para a felicidade.


A busca genuína é realizada através de ações não apenas de desejo.

Sem alegria, sem sorrisos não existe amizade, nem compaixão nem equanimidade.

Quatro meditações budistas ilimitadas para a felicidade:

Que possamos conviver com amizade.
Que possamos conviver com compaixão.
Que possamos conviver com alegria.
Que possamos conviver com equanimidade.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

"`Para que tudo isso?"

Esta indagação foi feita pelo escritor Saramago revisando sua obra.

Cabe também a todos nós a mesma pergunta; nós, simples mortais vivendo uma vida aparentemente louca, com muito pouca explicação.

Será que esses horrores e desrespeitos que assistimos diariamente estão aumentando, ou sempre existiram e agora com a internet e a globalização vivemos isso em tempo real.



Até existe a brincadeira: se cercar vira um manicômio, se cobrir vira um circo.

Talvez o sentido seja que as histórias acontecem num manicômio com um picadeiro dentro; histórias do mundo e as nossas próprias histórias.



Até o amor pode ficar louco – pelo ciúmes, pelos condicionamentos, pelos medos, pelas heranças etc.



A questão é: como conviver com essa loucura toda! Como não perder a educação e a delicadeza; como manter o auto respeito.



Uma possível solução seja tentar encontrar a carência no ciumento, medo no agressor, a pobreza no avarento, a tristeza no palhaço, a palhaçada no dramático, a solidão no preconceituoso,

a vergonha no autoritário, a frustração no agressor, a depressão no viciado, a arrogância no excluído, a culpa no perdulário, as desculpas nos coitados(que sofreram o coito).



A compreensão gera paciência.



Porque os momentos de ciúmes, agressões, avarezas, tristezas, palhaçadas, solidões, vergonhas, frustrações, depressões, arrogâncias , culpas e desculpas disfarçam um suplicante pedido por amor.



E aí como diz a música:



“Deus conserve para sempre meu bom senso temperado a pitadas de loucura!!!!”

terça-feira, 17 de agosto de 2010

"Tô com medo"

Deus, Energia Universal, Clara Luz, Buda....seja qual for a forma de você nomear a fonte universal que nos criou e criou tudo no Universo é sempre um lugar de refúgio , do confiança, de esperança.
Dentro do entendimento de cada um existe uma explicação para a existência e uma forma de nomeá-la.
Esse entendimento fornece um refúgio para os momentos difíceis, para as pequenas dificuldades; é um lugar para repousar e depositar a gratidão nos sucessos.

Importante é encontrar esse lugar ou esse ser de refúgio para acalmar os medos.
Medos, entre seus vários prejuízos, são origem de auto-estima baixa( perda de auto valorização).

Auto-estima baixa desperta internamente :

ciúmes, insatisfação,
culpa, vergonha,
solidão, preguiça,
raiva, frustração,
duvidas, dependências.

Quanta perda do precioso tempo .....quanto sofrimento.....

Então que tal fazer uma reflexão na música de Martinho da Vila ? (ouça também no Youtube)


Quem Tá Com Deus Não Tem Medo
Eu tenho um amigo que é do Rio de Janeiro
É muito forte e sempre foi bom companheiro
Surpreendentemente me disse em segredo:
Tenho medo, tenho medo, tenho medo
Tenho medo, tenho medo, tenho medo
Tô com medo, tô com medo tô com medo

Tô com medo de ir a praia nadar
Tô com medo de ver meu time jogar
Tenho medo de qualquer um reboliço
Tenho medo de quebranto e de feitiço
Tô com medo de comer e passar mal
Tô com medo até de ler o jornal
Medo, tô com medo ...
Medo, tô com medo ...
Medo, tô com medo ...
Medo, tô com medo.. .
Tenho muito medo de ser assaltado
Tenho medo também de ser seqüestrado
Tenho medo de polícia e de ladrão
Tenho medo de estar na multidão
Tenho medo quando vou pra minha lida
Tenho medo de uma bala perdida
Tenho medo de por o carro na estrada
Tenho medo de sair com a minha amada
Tô com medo ...
Tô com medo...
Tô com medo
Tô com medo...
“- Aí amigo! Não vai adiantar abandonar a Cidade ou fugir do seu bairro, porque em outro lugar dificilmente serás mais feliz.
Coragem amigos!
Vamos juntar as forças sair para as ruas, para os bares, restaurantes... Povoar os cinemas, teatros, espetáculos, praias... Vamos viver! Sem medo!
O pior inimigo ainda pode se tornar seu melhor amigo.
Não tenho medo, já não estou mais com medo.
Não tenho medo, quem tá com Deus não tem medo. “
Martinho da Vila

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Carma e Karma

Uma das explicações para as dificuldades é :”tenho que passar por isso porque é meu Carma “...
Como se Carma fosse um castigo.
Castigos, punições, penitências são conceitos herdados da cultura judaico-cristã que estimulam a sensação de culpa, culpados e inocentes, vítimas e carrascos.

O termo Carma significa resultado de ações, de qualquer tipo de ação – pacíficas ou de conflito, construtivas ou destruidoras, egoístas ou altruístas etc.

O Carma não implica em julgamento, nem se baseia em critérios morais; Carma é simplesmente o que acontece com a natureza, uma conseqüência lógica:

Quando plantamos uma bananeira nascem bananas; nunca nascerá peras.
Quando uma semente é plantada não somente nasce outra semente, nasce uma planta que dará varias outras sementes.
Uma muda pequena de árvore , bem adubada e irrigada acabará numa frondosa árvore.
Um tapa gera raiva nuca amor.
Um roubo no fim da história gera sempre perdas.
Uma mentira gera sempre solidão.

Carma é o que está acontecendo de agradável e desagradável; sem fazer drama, para que serve isso?

O que está acontecendo são os frutos de ações compatíveis; não interessa levantar hipóteses.
Refletir sobre hipóteses pode levar a conclusões bastante distorcidas, já que hipóteses não são certezas.
Vale simplesmente o que realmente está acontecendo.

Buda quando perguntado sobre renascimentos, respondeu que:

“Somos o que fizemos antes, seremos o que fizermos hoje.”

As ações são movimentos contínuos e combinantes: as ondas do mar nunca são iguais, mas serão sempre ondas salgadas na areia.
Nossas ações fazem parte da natureza , são fluxos com a mesma textura das ações que as antecederam.

Pra que serve essa reflexão ?

Para investir com entusiasmo em ações de amizade, de alegria, de solidariedade, de generosidade e equanimidade, para manter ou atrair situações confortáveis.
e transformar , respectivamente,situações e sensações de inimizade, insatisfação, egoístas, de pobreza e preconceituosas.

Não dá para mudar o passado e um futuro mais feliz depende do esforço (plantar sementes) para responder às situações de alegria ou de sofrimento
através da “4 meditações ilimitadas”:

Possamos todos conviver em bondade amorosa para curar a solidão

Possamos todos conviver em compaixão para curar as raivas

Possamos todos conviver em alegria para curar as insatisfações

Possamos todos conviver em equanimidade (sem julgamento) para curar as dúvidas.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Acalmar-se para curar

Em continuação à reflexão da semana anterior:

O silêncio interno e/ou externo é o melhor amigo do acalmar-se.
Acalmar-se no stress e nas aflições: ansiedades, inseguranças, culpas, ciúmes, raivas , dúvidas e invejas.

Sem parar o insight não “chega”.

Estamos habituados a lutar o tempo todo pela felicidade; correr tornou-se um hábito - um mau hábito.
Parece que existem inimigos de diferentes tipos até durante os sonhos.

A urgência em encontrar soluções, em atender às urgências e nas inúmeras escolhas que precisamos fazer
criaram emoções intensas que roubam a paz.

Uma das formas mais eficientes é prestar atenção ao que está acontecendo no momento presente.

No entanto os impulsos condicionados nos arrebatam e nos escravizam contra vontade: todas aquelas coisas que
não queríamos fazer e acabamos fazendo e nos recriminando – os hábitos destrutivos nos arrastam e fazem sofrer,
a nós mesmos e aos outros.

Para esses momentos em que os comportamentos destrutivos tiram a paz o
Mestre Tich Nhat Hanh relembra o ensinamento de Buda para recuperar a liberdade.

Em primeiro lugar PARAR e tomar consciência desses comportamentos.


Em segundo lugar ACALMAR-SE em 5 estágios:

Por exemplo com os medos:

1) Reconhecimento – “reconheço que um medo está dentro de mim”
2) Aceitação – ao invés de negar “ aceito o medo que está presente naturalmente em mim como parte da minha humanidade”
3) Acolher – “abraço o medo que sinto como uma mãe faz com um filho que chora”; a atenção plena desarma e acalma a emoção do medo.
4) Olhar em profundidade – quando nos acalmamos é possível entender o que provocou o surgimento do medo, ou seja o que está fazendo filho chorar.
5) Insight – o olhar profundo trás a compreensão das causas e condições que fizeram o medo aparecer ou o que fez o filho chorar – talvez esteja cansado,
talvez com fome, talvez com alguma dor. Refletir sobre as diferentes hipóteses até compreender a causa do medo. A compreensão vai mostrar
o que fazer ou não fazer para mudar a situação ou procurar auxílio.

Esse exercício cabe a qualquer outra emoção aflitiva.


Em terceiro lugar REPOUSAR - um pré-requisito para a cura.

Repousar é mais que descansar.
Repousar não é nada fazer.

Repousar é não lutar.

PARAR – ACALMAR-SE – REPOUSAR para curar-se.



Como sempre, depende principalmente do nosso esforço pessoal fazer acontecer as mudanças na vida