quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Os 8 símbolos auspiciosos do Budismo
O Budismo tibetano pertence a uma cultura bastante colorida, qualidades antropomorfizadas ( os aspectos humanizados de deidades) e repleta de símbolos com a função de nos relembrar do potencial de uma verdadeira mente desperta (lúcida) e livre.
Existe a realidade absoluta permanente, onde residem as sabedorias e a realidade relativa – a que vivemos, impermanente, repleta de mudanças, sustos e desafios.
Os 8 símbolos auspiciosos abaixo inspiram e falam dos “meios hábeis” para conviver positivamente com a realidade relativa em que estamos imersos e descobrir aspectos positivos nas negatividades; através de uma postura mental estável, evitar que elas “roubem” nosso poder interno.
Compartilho abaixo o interessante trabalho que conheci.
POR LEONARDO OTA
Quando fui ao templo do CEBB em Viamão/RS, fiquei muito curioso ao ver oito símbolos pintados e esculpidos por todo o templo e resolvi pesquisar o seu significado. A seguir você verá o significado de cada um deles.
OS OITO SÍMBOLOS AUSPICIOSOS
O Guarda-sol: O guarda-sol é o símbolo da dignidade real e proteção contra o calor do sol e representa proteção contra o sofrimento.
Dois peixes dourados: Os dois peixes eram originalmente um símbolo do rio Ganges e Yamuna, mas passou a representar a boa sorte em geral, para os hindus, jainistas e budistas. Dentro do budismo também simboliza que os seres vivos que praticam o darma não têm medo de se afogar no oceano de sofrimento, e podem migrar livremente (escolher seu renascimento) como um peixe na água.
A Concha: No budismo, uma concha branca representa o som do darma despertando os seres da ignorância.
A Flor de Lótus: O lótus está enraizado na lama profunda e seu caule cresce através da água turva. Mas a flor se eleva acima da sujeira e se abre ao sol, linda e perfumada. No budismo, o lótus representa a verdadeira natureza dos seres, que se levantam através do Samsara para a beleza e clareza da iluminação. Veja o significado das cores:
• Branco: Pureza mental e espiritual
• Vermelho: O coração, compaixão e amor
• Azul: Sabedoria e controle dos sentidos
• Pink: O Buda histórico
• Roxo: Misticismo
A Bandeira da Vitória: O estandarte da vitória significa a vitória do Buda sobre o Demônio Mara e sobre o que Mara representa – a paixão, o medo da morte, o orgulho e a luxúria.
O Vaso: O vaso do tesouro está cheio de coisas preciosas e sagradas e, não importa o quanto são retiradas, ficará sempre cheio. Ele simboliza vida longa e prosperidade.
A Roda do Darma: A roda de Darma, também chamado de Dharma-chakra ou Dhamma Chakka, é um dos mais conhecidos símbolos do budismo. A roda tem oito raios e representando o Caminho Óctuplo. Segundo a tradição, a Roda do Darma foi girada pela primeira vez quando o Buda proferiu seu primeiro discurso após sua iluminação.
O Nó Infinito: O nó infinito, com suas linhas fluídas e entrelaçados em um padrão fechado, representa a origem dependente e a inter-relação de todos os fenômenos. Significa também causa e efeito da união de compaixão e sabedoria.
Referência: The Eight Auspicious Symbols of Buddhism
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AUTHOR
LEONARDO OTA
Sou instrutor de meditação, Lamtonpa (instrutor facilitador) da Linhagem Drukpa Brasil orientado pelo Lama Jigme Lhawang. Criador e editor do site Sobre Budismo. Estudante de caligrafia e língua tibetana. Meu principal interesse é como podemos criar bem estar e felicidade em nossas vidas através do cultivo de um bom coração.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Vivemos num mundo de sonho?
Ou seja, vivemos na ignorância do que está por trás as realidade por isso muitas coisas da vida nos parecem incoerentes.
O principal objetivo da psicologia budista é nos ajudar a ver com clareza, despertando a lucidez.
Quando estamos perdidos na ignorância é difícil perceber até mesmo as verdades mais óbvias; imagine as coisas mais complicadas? As atitudes mais loucas?
Vivemos na superfície e tomamos as ilusões superficiais como realidade. Nos fixamos às impressões dos sentidos – mas isso é apenas a primeira camada enganosa sobre a verdadeira natureza das coisas.
Podemos embarcar numa ilusão e viver por aí durante um longo tempo.
Quando conhecemos os mecanismos da mente, seus jogos e superamos as ilusões aparentes, nossa vida se transforma; os medos se dissolvem, a valentia surge.
Sempre que nos sentimos incomodados e perturbados por raivas, ansiedades, inveja, confusões, culpas e outros medos estamos mergulhados na ignorância: à medida que investigamos a origem dessas situações com calma elas vão perdendo a força.
A ignorância é responsável pelos sofrimentos.
A ignorância nos enfeitiça.
Esse exercício de busca de lucidez é libertador.
O primeiro passo é olhar atentamente o que nos perturba, com curiosidade, as situações que nos perturbam.
Qual medo está gerando isso?
A vida nos distrai cada vez mais, na correria, nas solicitações, nas ofertas, nos perigos imaginários e reais além de todas a dependências a que vamos nos submetendo.
Enquanto não aprendemos a sentar, silenciar e repousar na nossa consciência livre, as situações externas vão gerenciando nossas escolhas.
Essa possibilidade de silenciar, se libertar e ficar nesse espaço livre, cria a possibilidade da lucidez, devolve a autonomia.
Silenciar, ficar livre dos “tem que”, das opiniões, das obrigações, descansar nesse espaço livre, na espacialidade sem tempo e sem medos é experimentar viver sem stress e ganhar espaço mental para despertar lucidez.
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
Nova Terra de um Lama Tibetano - o filme
Rodando pelo youtube atrás de ensinamentos de Mestres Tibetanos encontrei um lindo filme com Chagdu Rinpoche, Lama Tibetano, (Mestre de Lama Padma Santem) sobre sua vida e sua chegada para fixar residência no Brasil em 1995 na cidade de Três Coroas no Rio Grande do Sul depois de 17 anos ensinando na Califórnia.
Meu primeiro contato real com o Budismo Tibetano foi durante uma palestra de Chagdu no Memorial da América Latina no início da década de 90; depois encontrei o Reiki, arte de cura budista e outros caminhos que me levaram de volta aos estudos budistas tibetanos incentivada pelo meu genro Beto em 2000 de onde não me afastei mais.
Felizmente hoje é possível com mais facilidade encontrar inúmeros livros, filmes, ensinamentos curtos e longos no Youtube além de visitar Mestres , Centros de Dharma e terras onde se pratica o Dharma de Buda.
Há varias definições sobre felicidade, parece que até uma para cada pessoa; na filosofia budista felicidade é lucidez, o objetivo principal é conhecer a verdadeira natureza da mente.
Da lucidez brota naturalmente a compaixão por todos os seres, nas nossas e nas suas “confusões” de sofrimento, da insatisfação, resultados da ignorância sobre a verdadeira natureza livre da mente.
A compaixão é a natureza desperta ( lúcida) da mente.
Nessas andanças pela internet encontrei esse filme inspirador de meia hora , A Nova Terra de um Lama Tibetano.
É desse filme que tirei as palavras Chagdu Rinpoche para compartilhar com você:
“Olhando nossa própria vida percebemos as mudanças o tempo todo; nós agora temos um corpo precioso e cada dia deveríamos nos regozijar com isso.
Do nascimento à morte nada é permanente; portanto devemos usar esse corpo de maneira grandiosa, interrompendo ações negativas e procurando ajudar os outros. Essa é a fonte de felicidade futura.
A natureza de todas as experiências que nós vivenciamos é ilusória, é como um sonho; por isso podemos aceitar tudo que surge. O propósito de nossa vida é revelar nossa verdadeira natureza que é imutável, podendo assim ir para além do sofrimento.
Pensemos sobre isso muitas e muitas vezes; e rezemos para alcançar esse estado de revelação de nossa verdadeira natureza. Dediquemos todas as ações positivas realizadas para o benefício de todos os seres.”
Como sugerem os Mestres, não importa qual for sua fé visualize um ser que seja para você objeto de devoção, um santo, uma santa, Jesus, Buda, uma Deidade...um Ser totalmente compassivo e sábio por quem você se sente acolhido e que possibilite manter a motivação de compreender , beneficiar os seres, evitar prejudica-los e ajuda-los a encontrar suas respostas.
Que esse Ser derrame sobre você suas bênçãos em forma de luzes muito brilhantes para que você nunca se esqueça de seu compromisso solidário.
E, como lembra Chagdu Rinpoche em “Portões da pratica Budista”: que todas as pessoas que te virem, te ouvirem, te tocarem ou se lembrarem de você possam ser beneficiadas através por essas luzes também.
Sinta-se grato por você ter tido a oportunidade de encontrar respostas, inspirações e caminhos de serenidade enquanto tantos seres estão aflitos e mergulhados em duvidas e enganos.
sexta-feira, 25 de julho de 2014
A magia da purificação
É um tema que atrai; por que será?
Acreditamos que somos errados, que somos impuros...qual a real motivação para origina a vontade de participar de rituais de limpeza?
Seria o medo de ser castigado pelos enganos?
...estar ameaçado pela fragilidade humana?
...seriam nossas imperfeições “os pecados” que tornam os inimigos invisíveis?
...seríamos tão coitados que nos deixamos seduzir rapidamente pelas purificações....?
...será que os rituais propiciatórios - purificar para garantir sucessos – crenças mágicas?
Mas...mágica e milagres são apenas os nomes que damos para resultados que não compreendemos.
Bem...Purificação na filosofia Budista é o processo ( meditação) que desenvolvendo a concentração – sem conotação religiosa ou moral – resulta num processo de relaxamento do corpo e da mente diferente do que entende a psicologia ocidental.
Como explica o mestre budista Jack Kornfield em seu livro “Psicologia do amor”:
“a purificação significa a libertação da tensão, conflitos, distração, tristeza e ansiedade. A maneira mais fácil de entender isso é tentar manter firma a concentração por apenas 10 minutos;...dirigir a atenção para se concentrar na respiração ou numa imagem inspiradora.
...quando tentamos nos concentrar na meditação, nossos pensamentos, conflitos, planos e questões emocionais pendentes irão interferir. A purificação vem da libertação deliberada de cada uma dessas distrações até que a mente se estabilize e se acalme, satisfeita e firme.”
O processo de reconhecimento das distrações, pode não ser imediato mas à medida que treinamos esse tipo de meditação nos sentimos libertos de seus domínios – purificados, ou seja, mais imperturbáveis.
Nesse processo de estabilização “sentimos” uma luz interna libertadora que devolve a estabilidade e a desobstrução dos caminhos e de uma melhor compreensão dos mistérios da vida em estados profundos de silêncio, uma serenidade imperturbável.
Completa Jack Kornfield: “A concentração é um passo poderoso na jornada, um modo importante de aquietar a mente, abrir o coração e descobrir a liberdade.”
Diz Chagdu Tulku Rinpoche em seu importante livro “Portões da Pratica Budista”:”purificar o carma por meio de prática espiritual não exige que deixemos para trás nossa vida mundana. Antes, ao integrar a prática de nossas atividades do cotidiano, repousando na verdadeira natureza da mente, podemos purificar todo nosso carma acumulado, em uma só vida”.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Saudade de quê?
Saudade é uma palavra que sugere um montão de lembranças, na maioria das vezes ( não me lembro de nenhuma vez que foi diferente) melancólicas.
Penso sobre isso porque ouvi o violonista Yamandú Costa definir: saudade é uma dor que se acomoda.
Decidi fazer uma lista das minhas saudades para entendê-las porque uma dor que se acomoda está prontinha para ser despertada....perigo à vista.
Bem...sinto saudades de coisas boas , como se fossem lembranças emolduradas.
Porque se forem saudades de coisas tristes não são saudades, são remorsos, contrariedades, carências, insatisfações etc.
Na minha lista foram aparecendo:
Saudades da luz e da paz de Campos do Jordão
Saudades da comida da minha avó espanhola
Saudades da inteligência curiosa da minha avó portuguesa
Saudades das travessuras que fazia com meu avô
Saudades do silêncio do claustro do colégio em que me criei
Saudades da consideração que recebi de Mestres queridos
................
Agora,
Você continua a tua lista!
Ops...veja e observe se concorda comigo:
parece que todas essas saudades foram situações com pessoas, lugares e descobertas em que a nossa verdadeira natureza livre, pacífica e alegre se manifestava.
Então, saudade não precisa ser dolorida; ao contrario ela é o sinal de como, onde e com que tipo de pessoa nossa verdadeira natureza se manifesta.
Revisitar saudades pode se transformar num exercício divertido para revisitar os lugares onde nossa luz brilhou e ser uma dica de como reacende-la quando se apagar: transformar a dor no peito que prende a alegria numa ausência serena e inspiradora.
Porque afinal....nossa preciosa vida é agora.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Dificil se defender
No susto com o final do sonho (????) do hexa brasileiro me lembrei das vezes que eu também cai em “roubadas”.
Foi por ignorância? Com certeza!
Foi por ingenuidade? Com certeza também.
Sabe porque lembrei dessas “escorregadas”?
Foi porque não tive a capacidade me defender, na prepotência de acreditar que iria mudar a situação, da falta de visão, da falta de humildade de reconhecer que o “inimigo” era mais forte...enfrentei e me danei. Só não me machuquei mais porque acredito que fui “protegida” pelas energias universais que se apiedaram da minha ingenuidade, ou foi por sorte mesmo.
Porque.... ingenuidade é burrice, é falta de lucidez, é infantilidade.
Quando a França levou o primeiro gol da Alemanha, ela percebeu seu tamanho e o que estava por vir, se trancou e evitou a humilhação de mais outros tantos gols.
Brasil levou o primeiro, o segundo e... resolveu vencer o inimigo....total “sem noção do perigo”.
O dia que reconheci na minha história a menina, a adolescente, a jovem e a mulher desprotegidas que fui... correndo riscos, viajando na solidão dos sonhos de felicidade, das promessas ilusórias...num exercício de auto-bondade consegui trocar as culpas por uma profunda compaixão.
E é com essa compaixão que hoje olho para quem também está nessa “viagem” iludida.
Essa capacidade de se defender para evitar o pior não é uma visão pessimista, é uma visão amadurecida e realista.
Chega de romantismo ! chega de acreditar que as vacas podem voar!
Aprender a se defender e como se defender com inteligência e autorrespeito é uma arte.
Se o inimigo é mais forte, reconheça, recue e pense numa nova rota, numa nova abordagem ou aprenda a entregar o troféu para o inimigo; ....às vezes é preciso....
Jogos são apenas jogos, sem drama!!!!
Mas nossa integridade moral e física faz parte de construir e manter nossa vida preciosa!
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Mudanças....tapetes desfeitos
Chegou o momento de desfazer o apartamento de minha mãe...uma parte para cá, outra para lá, descobertas, duvidas, caixas e caixas, leilões....divisões....doações....prazos terminando.
Fico olhando o tapete da sala, e retornam as memórias afetivas, algumas nem tanto...
Tapete tão pisado nas comemorações, nos encontros e desencontros, chegadas e partidas, expectativas e sustos – ainda bem que não fala; bem...pelo menos... não escuto nada.
Agora apenas um tapete solitário que será comprado por outra pessoa que se afeiçoará por ele da mesma forma que um dia seduziu minha mãe e será pisado em outra casa.
Um grande tapete florido rosa de seda que uma família, no longínquo oriente, teceu durante meses ...fio por fio, nó por nó.
Fico olhando o tapete da sala e pensando que as memórias guardadas em milhares de fios também se dissolverão da mesma forma que, se os fios começassem a se soltar, seria apenas um amontoado de linhas coloridas e não guardaria nem de longe a memória da beleza deste tapete.
Fico olhando o tapete sendo enrolado...os moveis vão sendo levados e a impressão que dá é a mesma do tapete sendo desfeito; não é apenas uma mudança, é um lar que está se dissolvendo, que cumpriu sua história. Agora essa casa será palco de outras histórias. Esses moveis servirão outros amores , outras crianças, outros avós e outras festas.
Assim sou eu, assim é você, assim é tudo e todos: partes juntas que se forem separadas não são o todo. Todos e tudo surgem, fazem história, se desfazem na leveza do tempo e aparecem de outro jeito – a cada dia, a cada ano a cada vida – apenas não percebemos de forma tão nítida.
É a beleza da possibilidade da mudança, que só a impermanência pode nos presentear: a possibilidade da renovação.
O lugar onde todos esses movimentos, positivos, indiferente ou negativos, acontecem e são acolhidos é o ESPAÇO: o único lugar permanente, o ETERNO ABSOLUTO, o Silencioso Campo Primordial – ou se for mais fácil para compreender....DEUS.
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