quinta-feira, 4 de junho de 2015

Mapa do caminho

Mapa do caminho em (apenas) 7 passos: assistindo o retiro de carnaval dado por Lama Padma Samten anotei 7 sugestões que ele deu para seguir no caminho em busca da lucidez e da boa convivência.( você pode aprofundar o assunto assistindo pelo youtube no canal de Lama PadmaSamten esse retiro de verão 2015 ) Quero compartilhar com você porque, além de ser um bom tema de reflexão, acredito que sejam sugestões úteis e cabem em todos os caminhos que escolhemos: 1- Observar a magia que é perceber a inseparatividade do que acontece fora com o que acontece dentro de nós = coemergência ( isto está descrito abaixo com mais detalhes no texto dos “6 selos” – ensinamentos de Padmasambaba) 2- Sem bodichita (o coração bondoso que busca aliviar as dificuldades dos seres) e lucidez não há solução 3- Pacificar as relações em todas as direções( através de metabavana e das 4 ações de poder) 4- Não desistir, não cansar de ajudar os outros. 5- Reduzir as necessidades financeiras e materiais 6- Aprender a preservar a saúde, ensinar os outros e compreender de onde a doença surge. 7- Escapar das situações carmicas, das dependências dos condicionamentos (maracas) mentais Os 6 selos: *sele a aparência com a vacuidade *sele a vacuidade com a aparência *sele a vacuidade e a aparência com a inseparatividade *sele a inseparatividade com o encantamento *sele o encantamento com a ausência de condicionamentos *sele a ausência de condicionamentos com a Clara Luz, o espaço livre.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Medos, ultimo traço da ignorância

“O último traço da ignorância a ser eliminado é o medo”( Chagdu Rinpoche) Assim entendo que depois de ter resolvido raivas, invejas, culpas, carências, ansiedades, preconceitos, expectativas...todos pura ignorância - ainda no Nofinal, estão os medos = últimos traços da ignorância. Por que? Porque o medo aparece quando temos medo de perder nossos poderes, ou seja, nossas identidades. Por que? Porque pensamos que o que temos, o que pensamos ser, o que vivemos, com quem vivemos, onde vivemos nos dá um sentido. E se perdermos essas “coisas”...vamos nos perder também. Parece que não....quando aprendemos a conviver com tudo, todos e em qualquer situação em qualquer lugar sem precisar nos agarrar – sem medo de perder - estaremos no caminho rumo à tranqüilidade. Mas superar os medos é uma missão.... Missão para praticantes do cotidiano – manter permanentemente um olhar lúcido através de praticas regulares de manter a lucidez, com os pés no chão, tentando entender os jogos da vida. O medo é uma ilusão provocada por aparências. Determinadas aparências despertam sensações perturbadoras e aflitivas dentro de nós = nossos aspectos internos sombrios. Esses aspectos são condicionamentos, marcas mentais de cada um a serem dissolvidas, ou, serem desmoralizadas. Essas marcas mentais foram construídas durante a vida de cada um por isso as aparências causam medo em alguns e não em outros. Se fossem medos reais causariam medo a todos. Então os medos são reflexo de ignorância exatamente porque, sendo aparências ilusórias, como acreditar que são reais???? Lama Padma Samten tem um exemplo interessante: “Na primeira vez que entramos num trem fantasma as mascaras, caveiras, monstros, paisagens sinistras etc..nos apavoram mesmo sabendo que é uma brincadeira. Se insistirmos na diversão, a cada viagem desse trem fantasma, vamos desmoralizando os bonecos até que começamos a rir.” A vida muitas vezes nos coloca em trens fantasmas; revisitar (uma, duas, três vezes) com lucidez e sorrisos as relações, situações e lugares amedrontadores trará a mesma sensação de um nuvem se dissolvendo no céu. Pra que tanto trabalho???? Porque além dos medos serem uma ilusão, eles criam outras ilusões e a gente se perde nesse labirinto, ou fica cego = isso no Budismo é avidya. Mesmo que demore!!!! Então...comece agora! Uma vez superado um medo, ajudar outros a superar seus medos é emocionante. Assim surge também um coração bondoso – a bodhichita.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Alguma filosofia de vida te ajuda?

Essa foi a pergunta que fizeram para o físico Stephen Hawking, já no estado avançado de sua grave doença degenerativa, durante uma palestra na Universidade de Cambridge. E essa foi a resposta que ele deu através do computador que transformava em voz os poucos movimentos de sua mão(assim conta sua esposa): “É claro que somos apenas primatas evoluídos vivendo em um planeta pequeno que orbita uma estrela comum localizada no subúrbio de uma entre bilhões de galáxias; desde o começo da civilização as pessoas tentam entender a ordem fundamental do mundo – deve haver algo muito especial sobre os limites do Universo. E o que pode ser mais especial do que não haver limites? Não deve haver limites para o esforço humano. Somos todos diferentes. Por pior que a vida possa parecer sempre há algo que podemos fazer em que podemos obter sucesso. Enquanto houver vida haverá esperança.” Todos temos uma filosofia que embasa nossa vida; pode ser uma filosofia mais ou menos confiável, mas existe. Essa filosofia vai explicar nossas escolhas. Se é ou não confiável... vai ser descoberto pelos resultados que surgirão na vida. Não que a vida vai ficar maravilhosa... mas pelo menos que a filosofia que escolhemos mostre o caminho para: *não perder o equilíbrio frente aos desafios, tentações e sustos. * ajude a nos desarmar, pacificar situações e SER SOLIDARIO *mostre as vantagens ou qualidades em meio às negatividades. *dê energia e lucidez para evitar com firmeza os equívocos. Isso é o que falta para as pessoas confusas. Foi isso que encontrei no Budismo.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Por que nascem crianças autistas?

“Às vezes acho que o autismo existe para nos lembrar da compaixão.”Alysson Muotri Por que nascem crianças com autismo e com outras síndromes? Perguntou uma mãe aflita. Difícil, muito difícil!!!! Só quem acompanha essa experiência sabe. O mais simples aprendizados torna-se um trabalho imenso!!! Eles percebem um outro mundo e é difícil entrar nesse mundo para poder “conversar”. Mais difícil ainda é conviver com um ser que não percebe perigos e tem dificuldades graves para se defender!!! Fora a missão de lidar com os preconceitos e ignorância da sociedade. Não sei o porquê; aliás ninguém tem certeza, só hipóteses. Cada família vai encontrar suas formulas para conviver com essas dificuldades. É como se encontrar os culpados fosse resolver ou aliviar as dificuldades. Todos os seres são manifestações da vida. Somos todos manifestações da vida mas algumas vezes a vida se manifesta em corpos especiais. Seres especiais que pedem enormes esforços de quem cuida deles para que não se machuquem e não machuquem outros seres. Esses cuidadores precisam também de ser cuidados para suportar as duvidas, os medos, as raivas, o cansaço...para enfrentar o futuro incerto....muita compaixão por todos que estão nessa situação! Penso que ocupar o tempo tentando encontrar explicações sobre a origem dos problemas absorve muita energia – deixe isso para os pesquisadores; essa energia é importante para resolver as questões do dia-a-dia. É mais importante colocar energia no presente do que no passado. “Deixe as perguntas inúteis de lado, pois o budismo afirma: não perca tempo com isso, se não sabe o porquê simplesmente aceite o que está acontecendo; depois, veja até onde pode conseguir entender a situação e não se desvie do que sabe que é construtivo porque, de outra forma, será levado à ruína, a sentir-se mal.” Isabel Resano no livro de Aloma Zibechi “Os latinos-americanos e o Tibet”

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Ação irada...????

Se você descobrir que teu filho ou neto de 4 anos se trancou sozinho no banheiro – o que você faz? Se você perceber que um carro está vindo para trás e vai atropelar uma pessoa, o que você faz? Se alguém te conta sobre um ato corrupto em que vai se meter, o que você faz? A tua resposta forte é o que se chama no Budismo de ação irada. Ação irada é a ação que vai tentar aliviar o sofrimento de alguém ou interromper uma ação negativa. Acompanhar alguém que sofre de alguma perturbação psi é bem difícil; o papel de quem acompanha é tomar atitudes para que esse ser prejudique o menos possível outros seres. Os resultados comumente são demorados ou pequenos; mas qualquer coisa que se consiga já vai ser lucro – uma boa semente! Apoiar alguém que tipo “surta”, primeiro a gente se sensibiliza para o seu sofrimento: quem está razoavelmente bem não grita, não mente, não agride, não inveja, não foge etc Aí “ chamamos” a ação de poder para (tentar)não se perturbar. Aí é possível pacificar, acalmar a pessoa porque nos mantemos calmos. Aí encontramos coisas favoráveis para serem despertadas. Também sempre é bom usar a prece de Metabavana. Essas ações criam relações honestas de confiança. E confiança é condição fundamental para relações harmoniosas, principalmente dos cuidadores. E...todos nós somos cuidadores em alguém momento. Assim ouvi de Lama Padma Santem no seu último retiro de carnaval 2015.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Quando os desastres acontecem

Voltei com a noticia do terremoto no Nepal. Ouvi comentários do tipo: “mas num país tão espiritualizado, como isso aconteceu?” “ e o Dalai Lama ? como explicou essa catástrofe ?” Nessas horas, como é dito no Budismo, que Maharaja se manifesta ficamos sem respostas. Da mesma forma que a morte de uma pessoa famosa torna-se notícia nas manchetes ; por que? Porque na nossa ingenuidade nos lugares e com as pessoas que conseguiram realizações importantes (espirituais e/ou financeiras) o sofrimento não chega, ou chega pouco. É isso que assusta: verificar que nada é garantido, que ninguém escapa dos sustos da vida. A vida é preciosa e pode acabar de repente; então...importante é fazer de cada dia um dia com novos aprendizados e que sejamos , a cada dia, uma ponte para fazer sorrir, pelo menos, uma pessoa. Falando da viagem: encontrei muito forte nos EUA, tanto no Texas quanto em Nova York, o movimento para manter a cultura tibetana e o Budismo vivos. Nas livrarias inúmeros livros na tradição do Dalai Lama que eu desconhecia, vários centros de Dharma, espaço para meditação e museus. O Museu em NY que mais impressionou fica perto da Tibet’s House, o Rubin Museum of Art, um belo espaço dedicado à Arte Himalaia. Comprei até uma pulseira feita numa ONG por mulheres do Nepal.... http://rubinmuseum.org/ Encontrei nesse espaço vários grupos de crianças com seus professores leigos estudando o significado do altar, das imagens e das mascaras assustadoras. Estavam se divertindo , depois de compreender que as mascaras funcionam como nossos próprios reflexos no espelho, reflexos das emoções perturbadoras e estavam criando suas próprias mascaras!!!!!! Aproveitei a aula também..... Fiz compras na loja “The Land o Budha” e conversei com o proprietário Nepalês sobre a situação do Nepal; ele comentou alguns aspectos e estava feliz com a situação prospera de seu país que havia deixado há 15 anos..... Numa sociedade, com a americana, tão, mas tão assustadoramente consumista!!!!!, consegui encontrar nas sangas budistas ilhas de simplicidade, sorrisos desinteressados e propósitos altruístas. Estava com saudade do Brasil, de Santos, dos nossos encontros, da simplicidade em que vivo, sem a obrigação de gratificar cada gesto, podendo até olhar nos olhos de desconhecidos, de tocar as pessoas sem ameaças, de ter espaço para oferecer a ajuda quando alguém precisa. Foi bom observar uma parte os trabalhos no Budismo que estão sendo feitos fora daqui e sentir o movimento que estão tomando.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Pra ver a vida de longe: viajar!!!

Então...vou ver a vida de longe – durante o mês de Abril vou estar longe. Estes encontros virtuais semanais retornarão no final de Abril. Vou aproveitar para conhecer a Tibet’s House em Nova York e tentar trazer novidades. Quando viajamos nossa vida do dia-a-dia fica longe; como estamos longe de alguns hábitos, alguns automatismos perdem a força e é possível perceber coisas da vida que não percebemos porque estamos envolvidos pelas situações – porque as situações estão perto demais. Outro aspecto: como estamos em lugares novos é preciso mais atenção e isso tira parte da gravidade das dificuldades. Ainda: na maior parte das vezes vamos para lugares em que não somos reconhecidos então...a vaidade diminui e a vida fica mais simples e os possíveis críticos... também ficam longe. Viajar é bom, eu gosto, nem que seja para perto – outros cheiros, outras confusões, outras roupas, outro tempo, descobertas que despertam alegria no olhar....outras bolhas, outros mundos. E...a volta pra casa. Talvez seja apenas meu jeito de ver a vida; meus filhos enquanto ainda pequenos comentavam: “ mãe você vai na padaria comprar pão ás 6 da manhã e volta cheia de historias pra contar...como pode?” Pois é ...nasci assim, curiosa e animada. Esses mesmos filhos já pediram para, pelo menos na hora da morte, “pegar leve”... sem shows...sem surpresas... Aos poucos aprendi a usar essas tendências para tentar ser útil aos outros. Mas tudo bem quem gosta de ficar quietinho.... Tudo pode ser bom, apenas depende de para que e como fazemos as escolhas e seguimos na vida; mas que essas sejam na medida do possível, para beneficio de muitos seres. Então ...o vôo já está sendo anunciado...até a volta.