segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Essência das preces budistas

A exemplo do resumo de preces budistas que fazemos na nossa Sanga de Santos nas “Praticas diárias” encontrei no Budismo Petrópolis algo semelhante. Confira em https://budismopetropolis.wordpress.com/preces/. Na verdade essas preces além de serem recitadas, é preciso , principalmente refletir sobre elas e mergulhar no silêncio para incorpora-las.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Acolhendo a inveja

Na nossa cultura inveja é a emoção perturbadora mais difícil de ser reconhecida publicamente e acolhida. Sentir inveja é uma emoção triste, muito triste, até deprimente. É a tristeza pela felicidade do outro. Dá até vergonha.... Como se responde à inveja? Com uma fofoca, com a desvalorização do objeto invejado, ou da situação invejada ou ignorando essa emoção. Sentir inveja é triste porque aponta para uma sensação de incompetência de quem inveja; porque quando não existe a sensação de incompetência, a gente admira, elogia e se alegra pela conquista do outro. E quando a gente se acredita invejado por outros? Será que é isso tudo mesmo? Ou é uma forma de se auto-valorizar, ou se defender? Inveja pega; será que pega mesmo? Ou a gente se torna vulnerável, inseguro e/ou não merecedor das conquistas e se deixa abater? Inveja é perniciosa porque envolve comparação, concorrência, insatisfação. Tipo assim: no dia de natal, sair para brincar com os presentes que ganhou e ver outras crianças que ganharam coisas que você queria mas teu papai Noel não pode trazer. Ou ver outras crianças olhando tristes para teu lindo presente. Aí crescemos e vamos pela vida repetindo essa tristeza. Adultos-crianças, lutando para ter tudo, para provar sua competência. A inveja é uma das filhas malucas da insatisfação, de olhar o que falta ao invés do que já se tem. O melhor mesmo é refletir em que situações sinto ou senti inveja; observar de fora dessa bolha da inveja, se estudar e, principalmente, se acolher, sorrir para essa resposta infantil, deixar passar e se divertir com o possível. Os aspectos difíceis que nos acompanham são o melhor momento pra treinarmos nos liberar, a inveja pode ser também uma Mestre. Quando tudo vai bem nosso esforço é menos. E sempre é bom lembrar: ninguém é invejoso, as pessoas “estão invejosas” – dê uma chance para a mudança. Nada é fixo, as situações apenas estão, tudo muda. "É mais fácil sermos aprisionados pelo sucesso que pela dor. É quando ganhamos os jogos que temos problemas. Quando tudo vai bem, fixamo-nos naquelas condições. Parece que encontramos algo." — Lama Padma Samten

sábado, 23 de janeiro de 2016

Além de se despedir dos doces sonhos

Além destas despedidas que não são muito simples encontrei outra "tarefa” no livro de Irvin Yalom , Criatura de um dia: desistir de um passado melhor. Naqueles momentos em que ficamos mergulhados nas lembranças “do passado que não foi”, das injustiças na infância, das traições, dos enganos etc....é bom lembrar da inutilidade de procurar ofensas, culpas, culpados e do que poderíamos ter ou não ter feito. É apenas mais um momento masoquista como se as frustrações e decepções agregassem valor à história da vida. Momentos pobres. Melhor reescrever um passado novo, acolhido pela compaixão e ternura que fizemos as escolhas possíveis. Existe um exercício que faço e sugiro nos cursos que, ao surgir na lembrança, nossos pequenos tiranos, pessoas que abalaram nossa autonomia e valor ou..., por quem nos deixamos ser abalados, repetir: “eu não te culpo ......(nome), por você não ter sido a pessoa que eu queria que você fosse pra mim.E eu me liberto para sorrir e deixar você sorrir.” Perdão e julgamento é uma forma estreita de operar na vida. Aliás, além de desistir de um passado melhor, uma boa receita para a alegria é desistir dos medos e das expectativas. Como se você fosse um céu amplo e observasse situações, expectativas e medos apenas como nuvens claras e escuras empurradas pelos ventos.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A melhor pratica espiritual

A melhor pratica espiritual é nossa vida. Trazer benefício às pessoas é o sentido da vida segundo o Budismo e varias outras tradições. Aí perguntam: mas a vida é só pensar nos outros???? A questão é que primeiro é preciso reconhecer que somos todos e com tudo, interdependentes. Quando uma unha fica doente, não fingimos que não estamos vendo, nem cortamos o dedo fora; essa será a unha que receberá mais atenção e cuidado. Assim é na vida; atenção e interesse por tudo e por todos. Romper a ideia que existe a pratica e existe a vida separadas é o que dificulta, não há momentos especiais pra praticar, todas as oportunidades podem ser aproveitadas. Não há lugar certo, porque vamos carregando nossas fixações para todos os lados. O cotidiano é nosso melhor mestre porque nos coloca na confusão, e podemos testar os treinamentos e os ensinamentos para transforma-la. “O templo/lugar da pratica mais elevada é onde nossos pés estão tocando” –diz Mestre Dogen. Até novembro! https://www.youtube.com/watch?v=EcKea-10--E

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Quando encontrei os lamas

Foi difícil quando encontrei os lamas Quando se aproximava minha primeira visita a um Lama Rinpoche tibetano (professor com grandes capacidades de lucidez), pessoas já acostumadas a essas reuniões alertaram para que diminuísse as boas expectativas. O encontro poderia não ser muito tranquilo Como assim? Ele não era uma pessoa especial com quem eu descobriria novas e boas soluções? Talvez... Mas antes de disso ele se faria meu espelho para que enxergasse os aspectos da mente que precisava transformar. Mas isso seria feito sem ameaças, com doçura e delicadeza. E não aconteceu apenas nessa visita, mas em todas as outras que viriam acontecer desde 2000. E foi assim mesmo. Além das minhas experiências pude testemunhar outras pessoas passando pelos mesmos processos. Em cada encontro, um ou vários degraus acima na escalada. Mas... nem sempre foi fácil, aliás em varias ocasiões foi bem doído. Mas as “coisas” vão aparecendo tanto quanto eu já tenha capacidade de lidar. Além disso e, principalmente, pude viver descobertas sobre mim que só com eles seria possível fazer em segurança. Esses Mestres têm a capacidade de tornarem-se espelhos e assim, não se misturam com nossas sombras, simplesmente refletem e depende de nós encarar ou adiar. Mas mesmo assim prefiro reconhecer minhas sombras nessas situações a esperar que a vida dê um “tapetaço” e eu as descubra nos sustos. Se você tiver oportunidade de acompanhar a visita de algum Rinpoche, aproveite e observe o que acontece. Mas é bom apressar-se porque esta é a última geração de Lamas nascidos e formados na verdadeira tradição do Tibet, eles já estão velhinhos. Apenas mantenho o cuidado de checar se estão autorizados por SS Dalai Lama, em quem reconheço autoridade honesta e compassiva por sua história sem contradições, corrupções e oportunismos. Lama Zopa Rinpoche, um dos Lamas tibetanos importantes de nosso tempo está chegando ao Brasil para uma breve visita entre palestra e retiro, veja no link abaixo. http://www.cebb.org.br/lama-zopa-rinpoche/ Corra! Está terminando o tempo!

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Vem comigo

Ouvindo a canção de ENZO GRAGNANIELLO “(come) With Me”, encontrei um texto que parece uma fala budista. Veja comigo: mergulhe comigo para encontrar nas profundezas do mar o que está faltando aqui. venha comigo comece a entender como sofrimento é desnecessário. olhe para este oceano ele nos infunde medo ele está tentando nos ensinar algo: como nós torturamos almas que desejam voar? se você não for até o fundo você nunca poderá saber. Não olhar apenas para o lado ruim das coisas e deixe este coração solitário e abandonado na rua. levante comigo e comece a cantar como a nota doce do ar traz. feche os olhos você continua a voar enquanto o vento leva-nos lá onde existem as palavras mais bonitas que você toma para aprender. (ahh) como nós torturamos almas que desejam voar? se você não for até o fundo você nunca pode saber como não olhar apenas para o lado ruim das coisas. deixe este coração solitário e abandonado na rua.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A Inteligência branca

A Sabedoria de Darmata vibra cor branca Texto importante que li nos ensinamentos do CEBB através de Lama Padma Samten : A sabedoria de Darmata é a compreensão do espaço básico. Quando entendemos que aquilo que está se manifestando hoje também é uma fraude, entendemos Darmata. Compreendemos que todos os jeitos particulares que manifestamos são construções; porém, existe uma natureza livre de onde as construções brotam. Todos esses aspectos são transitórios, construídos. A nossa natureza é uma natureza livre, que ri dos nossos votos samsáricos. Quando olha paras nossas construções samsáricas, nossa natureza sabe que elas não perduram. Se ainda assim insistimos – “não, eu sou sério, é isso mesmo” – aí, a natureza de Darmata despacha Maharaja e …. bum!…derruba aquele ser que insiste em ficar fixado em alguma coisa. Então, no mínimo vocês pensem: nós envelhecemos e morremos. Aí aquilo que nós éramos se dissolve. Então não adianta nós nos fixarmos teimosamente. Nós não somos isso. A sabedoria de Darmata é a sabedoria de ver o que nós verdadeiramente somos. É o olhar que atravessa a aparência e vê a natureza livre que cria as nossas manifestações. Nós não atingiríamos a liberação sem a sabedoria de Darmata. Não é possível, porque não há nenhuma identidade que possa se construir livre. A liberdade não é uma construção, não é uma identidade, ela é nossa condição natural. As nossas prisões, as nossas manifestações comuns são manifestações dessa liberdade. Essa liberdade permite que a gente se construa de muitos modos. A sabedoria de Darmata é isso A etapa mais profunda do acolhimento é entendermos que o outro tem a natureza de Buda. O olho mais benigno, mais amoroso que podemos ter em relação a qualquer pessoa é não acreditar na cara que a pessoa está manifestando. É dizer: “você é livre, você tem uma natureza livre, você pode fazer outras coisas”. Por exemplo, uma professora, olhando um pestinha dentro de sala de aula, através da sabedoria de Darmata, pode dizer: “oh, a natureza dele é a natureza de Buda. A natureza de Buda é a natureza livre. Todos os seres tem a natureza livre”. LIBERAÇÃO