quinta-feira, 22 de setembro de 2016
14 conselhos par se tornar um Iogue do Cotidiano
Buda disse que o Budismo é como uma canoa que usamos para cruzar o rio da existência: de um a lado estamos na margem do Samsara – o mundo da das fixações, do outro o Nirvana – a liberação da mente.
Ao chegar na outra margem, saltamos, soltamos a canoa e seguimos.
Um dos conselhos é evitar fazer como o macaco que pula de galho em galho, pensando que está aproveitando e conhecendo mas está apenas se distraindo....aflito....
O tempo é curto.
Melhor escolher um caminho e seguir até não mais aprender, serenar e tornar-se um Iogue do cotidiano.
Inspirada pelos retiros em que Lama Padma Samten repasso seus conselhos e de outros Mestres Budistas resumidos assim:
1 – tomar refugio em lugar seguro: na verdade, num ensinamento sagrado e na mente iluminada =minha verdadeira natureza budica
2- gratidão e devoção aos Mestres que encontro no caminho
3-evitar me abalar pelas situações negativas= reconhecer o aspecto cíclico da existência
4-Metabavana= curar as relações com outros e comigo
5- Compreender o outro no mundo dele
6- Cultivar olhar de Tchenrezig= como ser útil para tirar o outro da situações de insatisfação.
7-Cultivar a atitude de Vajrasatava= transformar negatividades em vantagens
8-Simplificar as necessidades materiais
9- Cuidar da saúde para ensinar a cuidar da saúde
10- Cultivar uma pratica espiritual regular
11-Reconhecer e transformar ar fixações, padrões mentais condicionados de: raiva, vaidade, inveja, apego ilimitado, e visão preconceituosa
12-Evitar transmigrar, mudar, mudar, mudar.
13-Manter o sorriso, a liberação pelo sorrir
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
O silêncio dos suicidas
Setembro é tido agora como o mês amarelo numa sugestão de tirar o silêncio sobre o tema do suicídio.
Suicídio é a morte pelas próprias mãos e isso assusta.
Assusta porque essa situação lembra, ou parece lembrar, o fracasso da família e dos amigos.
Tive essa história na família além de ter testemunhado de perto algumas outras histórias de suicídio e tentativas mal sucedidas; que tristeza....não conseguir ter sido útil para dar um significado para a vida dessas pessoas.
Uma dessas experiências foi saber do suicídio de um praticante budista na altura das festas de final de ano.
No Budismo se acredita que o caminho que a consciência – o continuum mental - segue depois da morte é a continuidade das sensações com que se morre.
Na hipótese dessa ideia ser verdadeira, a solução do suicídio não seria a melhor solução, bem ao contrario.
Perplexa, perguntei a Lama Michel a explicação do que leva um praticante da filosofia budista próximo aos Rinpoches cometer tal ato. Na sua resposta explicou que esse praticante embora parecesse praticar o Budismo não havia realmente corporificado a filosofia.
Um dos treinamentos do Budismo é despertar a bodichita, a alegria por beneficiar outros seres.
Suicidas estão sofrendo tanto trancados em suas bolhas de aflição que não conseguem fazer despertar essa alegria, olhar para outros seres e fazer a diferença onde vivem.
O tabu do suicídio é “irmão” do tabu da morte; mas é preciso conversar sobre isso corajosamente.
Não estamos treinados, nem os médicos estão, a dar importância aos sinais que apontam esse caminho.
Antonio Geraldo da Silva, psiquiatra da Associação Brasileira de Psiquiatria, comenta que 70% dos suicidas procuraram um profissional de saúde para tratar de alguma “doença” mas a doença da sua alma não foi diagnosticada – foram procurar ajuda, “avisaram” mas não foram ouvidas.
Por que será que essas pessoas acreditam que só a morte será a melhor forma de escapar da dor da solidão, das decepções e auto-cobranças ?
Onde será que a esperança morreu para elas?
O que faz suas bolhas de aflições ser tão solidas que ele não consegue estoura-las?
Claro que existem os transtornos de humor, os vícios, os estados mentais confusos que roubam a lucidez. Para isso existem medicamentos e acompanhamentos terapeuticos.
Então ...esse mês é um alerta para conversar e perder o medo de falar sobre esse assunto.
Aprender a ouvir as tendências suicidas, o quanto de auto-centramento existe nessa postura, o quanto de vingança talvez o suicídio carregue.
OUVIR sem julgar é uma prática espiritual.
Suicídio é também se tratar mal; observe como está cuidando da tua preciosa vida humana.
Você está precisando conversar?
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
A maior negociação é com você mesmo
Wiliam Ury é um negociador, mediador de conflitos, com vários sucessos mundiais em varias questões graves – com as FARCS, nas disputas de governo de Hugo Chaves, nas questões dos grupos ligados ao empresário Abílio Diniz,acordos entre Síria e Turquia, dilemas da Guerra Fria entre EUA e URSS, na luta incessante nos tratamentos pela saúde de sua filha etc
Agora ele fala sobre como ser o próprio mediador com nossos conflitos e duvidas e dizer SIM a nós mesmos.
Termino de ler seu último livro “ Como chegar ao SIM com você mesmo”.
Encontro vários pontos comuns de suas 6 lições de negociação com as propostas no treinamento de alguns ensinamentos budistas. Ou seja,
*encontrar o equilíbrio entre:
nosso lado esquerdo do cérebro “masculino” - linguagem, lógica, tempo, julgamento, certo/errado, detalhes, fronteiras, diferenças/separações.
E
nosso lado direito de cérebro “feminino” – senso de conexão com a vida e com os outros, semelhanças, momento presente, panorama mais amplo, compaixão, abertura, solidariedade.
* o que buscamos com o nome de felicidade é proteção para se sentir seguro porque a vida é insegura e sentir conexão/ amor suficientes.
*reconhecer como a felicidade que esperamos é dependente da liberdade que buscamos. Essa mesma busca pela liberdade quando realizada por caminhos não generosos provoca as confusões.
*o medo de escassez é um padrão muito forte no ser humano; dar e receber, generosidade, resolve vários conflitos .A generosidade é o melhor caminho par a felicidade.
*gratidão, ter um olhar apreciativo para a vida, amplia a visão do caminho.
* chegar na natureza, ouvir uma boa musica, observar movimentos das artes, proporcionam senso de conexão com a vida; são como ir ao “topo da montanha interior”, e ajudam a descobrir nossas necessidade fundamentais.
*passo importante: abandonar o jogo da culpa e assumir a responsabilidade de cuidar das próprias necessidades.
* “as pessoas se prendem mais a seus fardos do que seus fardos se prendem a elas” Bernard Shaw
* “ nada pode me ferir ( ferir a minha essência de vida), não importa o que aconteça” Wittgenstein
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
Conselhos simples para meditar
Conselhos simples e eficazes do Mestre Sogyal Rinpoche, experimente:
“Se sentir que a meditação não acontece com facilidade na sua sala, seja criativo e vá para a natureza.
Natureza é sempre uma infalível fonte de inspiração.
Para acalmar sua mente, saia para uma caminhada no parque ao amanhecer ou observe o orvalho numa rosa do jardim.
Deite-se no chão e olhe fixo para o céu e deixe sua mente expandir no espaço. Deixe o céu externo despertar o céu interno de sua mente.
Fique em pé ao lado de um riacho e misture sua mente com seu correr; torne-se um com seu som incessante.
Sente-se ao lado de uma cascata e deixe seu “riso” curativo purificar seu espírito.
Caminhe na praia e tome em cheio na sua face o doce vento do mar.
Celebre e use a beleza do luar para equilibrar sua mente. Sente-se na beira de um lago ou num jardim, respire com calma, deixe sua mente cair no silêncio à medida que a lua surge majestosa e lentamente na noite sem nuvens.”
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
Melancolia é uma doença
Segundo Freud: “ melancolia é o amor por objetos perdidos.”
Assim ouvi de filósofo Wladimir Safatle.
Como se houvesse realmente um poder nos melancolizando, fazendo uma coerção psicológica.
Melancolia por projetos frustrados, objetos perdidos, seja quais forem esses “objetos”, a sensação que você não consegue superar.
A melancolia pode aparecer como abatimento, choro, aperto no coração, insônia etc etc etc
A melancolia é reflexo de desequilíbrio na energia interna que sustenta a vida , o desequilíbrio no fluxo das energias, soglung na filosofia budista.
A fixação em “objetos perdidos” engessa em melancolia.
Como quebrar esse gesso?
Fazendo um luto inteligente, “dissolvendo” o poder das perdas é possível escapar da armadilha da melancolia e se reinventar.
A melancolia generalizada produz impotência, falência, mais fracassos porque impede que o individuo realize seu potencial.
Fazer o luto, encerrar os capítulos, acomodar as lembranças, olhar para frente e despertar novos potenciais ajuda escapar dessas armadilhas afetivas.
Recriar um olhar de bondade alegre e... seguir com coragem!
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
Sorrindo para o medo #9 final
(inspirado nos ensinamentos de Chogyam Trungpa Rinpoche)
Se quiser ler mais sobre os 9 textos que foram enviados:
“Sorria para o medo” de Chögyam Trungpa, Ed Gryphus
Continuando:
Existe um princípio em tibetano que recebe o nome de Ashe (a-shay);A = primordial, She= força vital.
Ou, Ashe= fonte de poder.
Esse princípio existe em nós como um poder e possui a força de eliminar neuroses desnecessárias.
Ashe manifesta a bondade fundamental através de sua força e poder de corte do desnecessário.
Esse poder se apresenta em aspectos do mundo relativo e absoluto.
Como poder relativo é a coragem cortando a covardia, a falta de humor, a insatisfação. A lâmina de Ashe corta o medo.
“O princípio de Ashe reside em seu coração, seja você covarde ou corajoso. É sinônimo de bondade fundamental e é uma manifestação da bondade fundamental. Esta em nosso corpo, em nosso coração, em nosso cérebro, em nossas veias, em nosso sangue, em nossa carne. Todos nós possuímos o principio Ashe, o sentido da mágica constante que há em nós. A única coisa que precisamos fazer é reconhecê-la.”
Ser apresentado ao princípio Ashe e reconhecê-lo desperta para uma nova dimensão da vida, com brilho e vitalidade.
Esse poder se apresente também no nível absoluto, é a não existência, ausência de fronteiras, de separatividade, como espaço ilimitado e aberto com qualidades indestrutíveis.
Ashe está em você , está no Cosmos, é o não-ego, imóvel e firme; união do céu (lucidez) e terra ( praticidade).
Ashe nos permite:
* cultivar a qualidade do sagrado na vida
* apreciar o que somos e onde estamos com uma mente alegre e corajosa frente às duvidas.
*se libertar das fixações
*apreciar o mundo e viver em paz
*cultivar uma bondade desprovida de agressividade
*cultivar um estado positivo de ser
*manter o senso de humor
“A dor gera o caos, o medo e o ressentimento e temos que superar isso. É uma lógica bem simples, Quando superamos o medo, descobrimos a alegria intrínseca e passamos a ter menos ressentimento em relação ao mundo e a nós mesmos. Ao estar de modo natural, temos menos ressentimentos. Quando ficamos ressentidos, transportamo-nos para outro lugar, porque estamos preocupados com outra coisa. Ser guerreiro é estar simplesmente aqui sem distração, nem preocupação. E quando estamos aqui, ficamos alegres. Podemos sorrir para nosso medo.”
“Todos nós fazemos parte da mesma família humana. Vamos sorrir e chorar juntos.”
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
Sorrindo para o medo #8
(inspirado nos ensinamentos de Chogyam Trungpa Rinpoche)
Continuando:
“A coragem é como um reservatório de confiança; essa confiança provem da experiência da bondade fundamental que existe em nós, em todos nós.”
Quando nos sentimos realmente bons, no sentimos confiantes e queremos ter intimidade com a realidade.
Confiança é estar disposto a correr riscos; se expor para correr riscos sem se sentir só e inseguro.
Então, o fracasso por em equivoco ou o sucesso por uma ação disciplinada, não precisa de punição nem de recompensa.
“ se você é muito arrogante vai acabar batendo a cabeça no teto; se é muito tímido vai rastejar pelo chão”
“A analogia tradicional é a de que sua postura deve ser como a de um rei ou uma rainha sentado no trono, se falando de um monarca iluminado” Ou seja, mente e corpo sincronizados.
“A coragem surge do medo. A lógica é bem simples. Você pode perguntar por exemplo, por que alguém toma banho. Você toma banho porque se sente sujo. Não fica inspirado para tomar banho apenas porque há roupas limpas no armário. Podemos dizer que a bondade fundamentar é como as roupas limpas no armário. É ótimo saber que estão lá, mas nem sempre é motivo suficiente para fazer você tomar banho. A sujeira é que faz realmente com que você tenha vontade de se lavar. Da mesma forma, a coragem surge do medo.”
“A coragem é poderosa e envolve amabilidade, mas também envolve solidão e tristeza. “ Mas sem drama! Tudo se mistura mas não intimida.
“Sabedoria e consideração fazem parte da coragem.”
A coragem nos permite ser mais disponível e generoso porque não sentimos medo do fracasso ou da não recompensa.
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