quinta-feira, 27 de abril de 2017

O que faço com os pensamentos

                             

Durante a meditação os pensamentos são como invasores...o que fazer?
Ensina Sogyal Rinpoche:
“Seja quais forem os pensamentos e emoções que surjam durante a meditação, permita que aflorem como as ondas do oceano. Não importa que você se perceba pensando, deixe esse pensamento surgir e aflorar, sem nenhuma limitação. Não se apegue a ele, não o alimente, não o desculpe, não se agarre nele e não tente torna-lo sólido. Não siga os pensamentos nem os convide; seja como o oceano olhando suas próprias ondas, ou o céu olhando para baixo as nuvens que passam através dele.

Você descobrirá rapidamente que os pensamentos são como o vento: eles veem e eles vão. O segredo é não “pensar” sobre os pensamentos mas permitir que eles voem da sua mente, mantendo sua mente livre depois que os pensamentos se forem.”

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Para conviver com ofensas



Sugestão do Mestre Tich Nhat Hanh:
use o mantra: “em parte, você tem razão”.
Quando alguém nos dá os parabéns ou nos critica, devemos utilizar esse mantra. Dentro de mim, eu tenho pontos fracos e fortes. Se você me elogiar, eu não devo esquecer que carrego pontos fracos em meu interior. Quando enxergamos coisas bonitas nos demais, tendemos a ignorar o que não é tão bonito. Sendo humanos, temos pontos positivos e negativos. Portanto, quando uma pessoa amada o elogiar, quando disser que você é a imagem da perfeição diga:
_ “em parte, você tem razão. Tenha em mente que carrego outras coisas dentro de mim.”
Fazendo isso, você será capaz de manter certa humildade. Você não será vítima da ilusão, pois saberá que não é perfeito. Quando alguém lhe fizer uma crítica, diga o mesmo:
“em parte, você tem razão”


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Quando a tempestade chegr

                                           
Maharaja no Budismo é a figura que “chega” para dar um susto e obrigar a gente a se reinventar, como aqueles momentos em que a tempestade chega na vida.
Nessa hora nada a fazer; o melhor é sentar, prestar atenção na respiração e no abdômen.
Prestar atenção no abdômen ajuda silenciar os pensamentos e a imaginação. Silencio das hipóteses, filosofias, ideias e crenças.
Quando a tempestade passar novos caminhos vão surgir.
Sempre lembrando: “ Já passei por outras tempestades; todas tempestades passam, nenhuma fica para sempre esta também vai passar e essas aflições também irão embora”.
Tchic Nhat Hanh tem um texto comovente para deixar sempre na mente:

“Onde quer que estejamos, onde quer que nos sentemos, haverá um rio de trilhões de estrelas sobre as nossas cabeças. Nós vivemos em um planeta, em um lindíssimo planeta, que está se movendo na Via Láctea. Quando nos sentamos com essa consciência, somos capazes de abraçar o mundo todo, desde o passado até o futuro. Quando nos sentamos dessa maneira, nossa felicidade é enorme.” 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Caminho da liberdade

 Comecei assistir a nova temporada de “Grace e Frankie” e não gostei mesmo, até uma ligeira aversão. O que é isso? Afinal apenas uma tela projetando uma invencionice numa noite de sábado.... Parece... mas não é apenas isso; ali está retratada as “viagens”, frustrações e decepções de mulheres com a idade que estou vivendo (depois dos sessenta). O que vi nesse “espelho”? essa é a questão. Interessante!!!!!! Aquela sensação brotou da coemergência entre minha mente e a projeção da serie na TV. Analisando: a liberação das fixações e poder “andar” pelas situações sem drama é a saída para se sentir livre e se sentir bem. O que são fixações? Todas as situações que abalam ; incomodam porque por trás há fixação. Fixação à tentativa de controlar ( ansiedade), a querer ter seu ponto de vista aceito ( raivas), a garantir sua dependência (inseguranças), a sua imagem ( vaidade)e as suas “fronteiras” (preconceitos). Destas 5 fixações surgem suas numerosas famílias. As fixações são filhas do Medo. O medo é filho da Ignorância. Tudo bem, entendido! Dá para reconhecer as fixações num breve exercício mas... e aquelas sensações desagradáveis em que não identificamos essas fixações???? Se não identificamos não mudamos. Fixações inconscientes aparecem por exemplo nos sonhos, aparecem nas aversões ou encantamentos assistindo filmes ou ouvindo histórias. Sim, porque fixações não são apenas a coisas desagradáveis, às sedutoras também; essas podem ser até mais perigosas, porque o ego gosta... Divirta-se nesse exercício e SORRIA, A VIDA ESTÁ TE FILMANDO !

quinta-feira, 30 de março de 2017

3 medos

Sentimos medo das dores, da morte e da pobreza. Dores, perdas e morte não ficam tão escondidas; mas o medo da pobreza é um fantasma. Quantas coisas decidimos por medo da pobreza...e nos subtemos: a empregos, a aventuras, a sonhos, a empréstimos, a relações... Medo da pobreza e de parecer pobre. Nas histórias de vários Mestres os vemos saindo de seus palácios, deixando a vida confortável e partindo sem medo da pobreza; ou ainda, sendo feliz de qualquer forma. Ainda existem os que se disfarçam de mais pobres com medo de ser explorado; bem ai é caso pra psicólogo. Pobreza escraviza? Como será que os Mestres fazem para se sentir livres em qualquer lugar? Ontem comentaram que me viam bem depois de uma fase difícil; o que fiz? Me reinventei. Me restaurei coo sugere a oficina de costura: Restaure o tempo. Restaure a energia. Restaure a fé. Restaure as atitudes. Restaure a liberdade. Restaure o sorriso. Restaure o caminhar. Mas principalmente restaurei a coragem. Restaurei Vajradhara, o princípio ou estado da mente dotado de DESTEMOR.

quinta-feira, 23 de março de 2017

A desconfiança que nos acompanha

Pela visão da filosofia budista temos 8 consciências: a olfativa, a do paladar, a visão, a tátil, a auditiva, a mental, a aflitiva e a das memórias . A consciência da mente aflitiva é reconhecida por delusões: raiva/ frustração, carência/ ciúme, ignorância/preguiça, desejo ilimitado/ estratégias obsessivas, vaidade/ artificialidade, inveja/ competitividade. Todas dentro da bolha do MEDO e o medo dentro da bolha da IGNORÂNCIA. No estado mental da inveja/ competitividade, chamado de reino dos semi-deuses, temos uma companhia constante: a DESCONFIANÇA. Com a desconfiança como parceira andamos sempre armados, olhando para trás; tentamos descobrir quem está nos enganando, onde estará o inimigo? ...na propaganda enganosa, no elogio exagerado, na generosidade gratuita, nas promessas de amor eterno, nas dietas milagrosas, nos seguros seguros, nas ameaças???? Também não é por acaso...quantas vezes a ingenuidade nos traiu e caímos em armadilhas! A questão é: a desconfiança permanente rouba energia , obriga a ficar vigilante para defender os direitos com causa ou sem causa. E a vida vai passando....e a saúde também. A desconfiança permanente é um estado neurótico que nasceu de um susto, que se repetiu, se fixou, ensinou a se defender com rigidez e ter um olhar caótico para as aparências. Resta agora desconstruir esse olhar, soltar, recuperar a CONFIANÇA NA NATUREZA LIVRE e construir um novo olhar. Em qualquer estado aflitivo é possível encontrar a desconfiança, que na maioria das vezes não vai encontrar o inimigo. Encontrar um caminho do meio seria muito bom; encontrar a atenção sem rigidez. Atenção com um sorriso. Porque mesmo com toda a atenção, nada é garantido, nem podemos confiar sempre, nem desconfiar permanentemente. Como diz o Lama, no Samsara o cobertor, para um lado ou para outro, é sempre curto. Mas... como comentou o neto Thiago: que bom viver soltinho!

quinta-feira, 16 de março de 2017

A serenidade é possível

A filosofia budista é um dos caminhos para encontrar nossa verdadeira natureza onde é possível desfrutar de uma liberdade natural nos momentos tranquilos e até mesmo nas situações desafiadoras. A liberdade natural é chamada de natureza primordial – um espaço luminoso e silencioso que não oscila enquanto tudo oscila. Foi esse espaço que Buda entrou, ficou e ensinou; é desse espaço que ele olhou para o mundo e para todos os seres e viu que todos nós poderíamos chegar aí – ricos e pobres, inteligentes ou não, estudados ou não. Esse espaço livre e lúcido, o Nirvana, é uma forma de olhar o mundo e seus seres. O Samsara, o espaço repleto de confusões, seduções e distrações apaixonadas, é apenas uma forma autocentrada de olhar o mundo e....sofrimento na certa. Por que? Porque queremos garantir os sucessos, garantir conforto e prazer e ...tudo muda, nada é garantido. È possível encontrar nossa natureza lúcida e livre, a serenidade; ela é uma base que sustenta todas nossas experiências. Como num cinema. Lama Padma Samten explora bem o exemplo da tela de cinema que exibe os filmes. Nossa mente lúcida é como a tela do cinema: se mantém limpa, branca, estável, vazia e luminosa enquanto os filmes vão sendo projetados. Os filmes começam, terminam e a tela continua impassível. Ao mesmo tempo, uma de nossas mentes é observa essas cenas e varias vezes se identifica e se perde, esquecendo que sua verdadeira natureza é a tela branca quando o filme termina. E todos os filmes terminam. Não tem como se apegar a eles. Esse é o jogo da vida. A dificuldade de perceber essa tela branca é resultado dos nossos pensamentos, memórias,julgamentos e emoções agitados e constantes. Meditar ajuda a acalmar os pensamentos e perceber nossa tela branca, lúcida, nossa base natural e serena enquanto o filme que estamos vivendo está passando. Essa base é o verdadeiro refúgio – o lugar onde nada muda enquanto tudo muda. Se quiser saber mais assista os vídeos “Estudando a prajnaparamita” de Marcelo Nicolodi no cebb Rio . E....treinamento, bastante treinamento.