quinta-feira, 21 de março de 2019

Você já teve amnésia?




Imagine que uma pessoa de repente acorda num hospital depois de um acidente de carro e descobre que ela está sofrendo de total amnésia.
Todo o resto está intacto: ela está com o mesmo rosto e corpo, seus sentidos e sua mente estão lá, mas ela não tem ideia ou um sinal de memória de quem ela realmente é.
Da mesma forma, nós não conseguimos lembrar nossa verdadeira identidade ou natureza original.
Freneticamente, e num pavor real, a gente contornou e improvisou uma outra identidade, uma que ajudou ir se agarrando desesperadamente como uma pessoa que está continuamente caindo no abismo.
Essa identidade assumida falsa e ignorante é o ego.
Você, eu e todos os outros seres estamos sofrendo de amnésia e precisamos de cura.
Procure tua cura.
A vida vai ter mais sentido.


sexta-feira, 15 de março de 2019

Em que personalidade você está?



Temos 4 personalidades que evoluem se estivermos na idade mental adequada a nossa idade física.
Personalidade criança – egoísta, autocentrada, insegura, curiosa, livre, mimada, sem compromissos, impetuosa etc
Personalidade adulta – equilibrada, segura, planejada, controlada, responsável etc
Personalidade genitora – capacidade de ser cuidador e responsável por outro ser.
Personalidade budica – é o ser completo: solidaria, de amor incondicional e sem fronteiras.

Como bonecas matrioscas russas, cada personalidade é envolvida pela seguinte, não desaparece , apenas vai agregando valor à anterior.

Personalidade budica é aquele que tem bodhichita.

O que é Bodhicitta

Em várias preces e textos aparece a palavra bodhicitta.
Esse termo em sânscrito significa o desejo compassivo de atingir a iluminação (liberação) para o benefício de todos os seres.
Bodhi significa nossa essência iluminada (liberada) e citta significa “coração” (mente).
Então bodhicitta poderia ser traduzida como “o coração da nossa mente iluminada”.
A prática da solidariedade que acolhe tudo e todos com compaixão e bondade amorosa  faz amadurecer, despertar  o coração da mente iluminada como uma flor que desabrocha em muitas pétalas como meios hábeis para aliviar as aflições dos seres.
Bodhicitta é a primavera, a fonte, a raiz de todo o caminho espiritual.
Essa é a essência de um Buda.

Por isso nas preces se repete com tanta urgência:
Possa a mente de bodhicitta que ainda não nasceu, nascer e crescer.
Possa aquela que já nasceu não se degenerar e crescer para sempre.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

A arte de casar





As colunas e os blogs e os gurus estão repletos de receitas de como conviver no casamento.
Talvez o mais importante seja olhar com honestidade qual foi ou é a verdadeira motivação para casar.
Sempre é bom lembrar que o outro não é responsável pela minha felicidade; o outro é companheiro de estrada no caminho que vou escolhendo para viver.
O que acontece é que os caminhos de repente não combinam no tempo, espaço e valores.
Quem me acompanha sabe dos casamentos que vivi (e vivo) e se divertem com as experiências para fazer “dar certo”: no primeiro, 14 anos aprendi a ser mãe dos 3 filhos e aprendi a ser adulta.
O segundo, 5 anos, me ensinou a ser professora e cuidadora além de encontrar a menopausa com alegria.
Houve 2 outros encontros mais curtos em que aprendi a superar a ingenuidade, a traição e as armadilhas que a carência arma. Até perdi a alegria com os sustos mas me recuperei rapidamente.
O casamento que hoje vivo me ensina a envelhecer o último capítulo da vida e usar o tempo para buscar sentido para o que faço além de ver os netos crescer. E, principalmente, que seja sempre com alegria.
O que aprendi em todos os relacionamentos é dividir o espaço com alegria. Todos os espaços. 
Não que seja fácil ....mas a gente vai tentando.
O que tem ajudado é manter a curiosidade pela mudança que vai acontecendo no outro e em mim.
Somos diferentes a cada dia que passa e isso pode ser bem estimulante.
Todos os dias, ao começar o dia, vem a pergunta: quem vou encontrar hoje? O que vou aprender? O que vou descobrir?
A chave é ter interesse bondoso ao outro e....não ter expectativas magicas...e aceitar que não vai ser perfeito....
e...tudo que se une um dia se separa...vamos aproveitar os bons momentos.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

O mistério das invejas




A pergunta mais constrangedora num encontro é “do que você sente inveja”.
Por que será?
..............................................
Porque a inveja nos faz sentir por baixo, inferior.
E não tem isso de inveja branca. Inveja é inveja. Diminui.
Regozijo, alegria pelas realizações dos outros, é a outra ponta. Cresce, enfeita.
Quando pensamos que algo que admiramos pode ser importante na vida vamos buscar como isso foi conquistado e se está nas nossas condições para obter, com HUMILDADE.
Há 3 tipos de inveja como apresenta Dzongsar K.Rinpoche.
1 – Inveja dos que estão acima de nós, isso gera depressão, frustração e raiva.
2- Inveja dos que estão nas mesmas condições, isso gera competitividade, desconfiança e lutas.
3- Inveja dos que estão abaixo de nós, isso gera desprezo e fofoca.
Tudo para querer ser, estar, sentir e aparecer importante....autocentramento puro.
E agora companheiro(a) da estrada de autoconhecimento?
Como ficou esse assunto?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

O caminho parece difícil




Dalai Lama diz que o caminho dos estudos budistas não é fácil; precisa dedicação, persistência, determinação, tempo e méritos.
É um caminho que não promete milagres.
Para sobreviver nesse caminho temos que descobrir como lidar com os desafios e dificuldades.
Como processar duvidas e visões erradas.
Com nos compreender e entender nossos humores.
Como nos inspirar quando não estamos gostando.
Como integrar estudos e práticas.
Como invocar compaixão e colocar na vida.
Como transformar nossas emoções e sofrimentos.
Conforme vamos estudando e entendendo, mais claro e mais inspirador o caminho espiritual vai ficando.
Não vai ser sempre fácil.
Descobrir como os enganos, as ilusões e as emoções nos cegam é libertador e devolve autoconfiança.
O resultado bom dessa coragem é a alegria.                                                    
O resultado de sentir mais serenidade chegando e aliviando duvidas vale-a-pena.
O único probleminha é que somos viciados em emoções, boas e nem tão boas, e isso é a armadilha.
O Budismo é um dos sistemas que ajuda a desmontar essas armadilhas.
Experimente!
Confie!

domingo, 10 de fevereiro de 2019

O pior de nós




Existem pessoas, que poderíamos chamar de desafetos, que têm o poder de fazer aparecer o pior de nós.
Lembre de uma pessoa assim na tua vida.
Culpa, vergonha, críticas, inveja, raivas, tristezas, insegurança, medos, muito preconceito, julgamentos e tudo mais que você já conhece surge magicamente na convivência com ela.
Pode aparecer um item só ou vários ao mesmo tempo!!!!
Na verdade, não são elas que têm esse poder.
Tudo isso já existe dentro de nós.
Existe sim! Senão como apareceria?
Essas pessoas podem estar tendo comportamentos aversivos e abusivos, mas elas estão sendo instrumentos para que possamos reconhecer o que carregamos na mente.
Dá um medo grande quando reconhecemos o pior de nós.
Justificamos, explicamos, disfarçamos, mas não adianta aquilo volta.
Então como transformar esses fantasmas em aprendizado e libertação?
Libertação sim! porque todas essas sensações que os desafetos fazem surgir de dentro de nós roubam nossa liberdade e serenidade.
O caminho é reconhecer sem baixa autoestima nossa humanidade e imperfeição e praticar a purificação.
Purificação pode ser feita repetindo Metabavana*, dedicando nossas virtudes ao benefício de TODOS os seres e magnetizando nossa mente com a mente dos Mestres Iluminados através de seus ensinamentos.
E um dia...esse desafeto surge e não sentimos mais nada de ruim! Que alívio! E a vida muda.
Gratidão aos desafetos!!!!!
*METABAVANA
Que eu encontre a serenidade e supere os enganos.
Que eu encontre o caminho da serenidade e supere a origem dos enganos.
Que meus obscurecimentos mentais, aflições, apegos e condicionamentos possam ser dissolvidos e surgir em mim a lucidez completa e instantânea para tudo e para todos.
Que eu possa trazer vasto benefício aos seres e encontrar nisso a fonte da minha energia e da minha alegria. 


quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Além do Carma





Na visão budista Carma significa que seja o que façamos, com nossos corpos, fala e mente haverá um resultado correspondente.
Até entre os Mestres existem diferentes leituras sobre o Carma.
Alguns dizem que por menor que seja o ato, por pouco que seja o veneno, por mais leve que seja o pensamento, por menor que seja a semente o resultado aparecerá multiplicado.
Buda disse: “não subestime ações negativas simplesmente porque são pequenas; uma pequena faísca de fogo pode incendiar uma montanha.”
Por outro lado, também disse:” não menospreze as pequenas boas ações, porque até gotas de água no final vão encher o um grande jarro.”
Mestres também dizem que a motivação de cada ato de corpo, fala e mente é o que dá o impulso para o resultado.
Toda ação é um movimento, seja de corpo, de fala e de mente como uma pedrinha jogada no lago.

Numa das aulas com Gueshe Sherab , aprendi as 4 fases de 100% do Carma:
1 – Intenção
2 – Preparação
3 – Ação realizada
4 – Satisfação pelo resultado
Seja para o bem ou para o mal, seja uma fofoca ou seja oferecer alimento a quem precisa o processo é o mesmo.
Cada fase representa 25% do Carma.
O resultado de cada fase será multiplicado por 10.
Você pode parar em cada uma das fases ou...chegar ao final.

E quando você reconhecer que a ação não foi a melhor ( não alimente culpa), se arrependa, se proponha não repetir, faça uma prece de purificação tipo Metabavana* e dedique suas alegrias a quem pode ter se sentido prejudicado.
TODOS os enganos podem ser purificados; tudo pode ser dissolvido, até o carma.

*METABAVANA
Que eu encontre a serenidade e supere os enganos.
Que eu encontre o caminho da serenidade e supere a origem dos enganos.
Que meus obscurecimentos mentais, aflições, apegos e condicionamentos possam ser dissolvidos e surgir em mim a lucidez completa e instantânea para tudo e para todos.
Que eu possa trazer vasto benefício aos seres e encontrar nisso a fonte da minha energia e da minha alegria.