terça-feira, 8 de novembro de 2011

O ótimo é inimigo do bom

Rolando, meu marido, é engenheiro e sempre que insisto em melhorar muito as coisas repete esse ditado que ouvia de um companheiro de profissão.
Quando teimamos em alcançar a perfeição ( ou o que pensamos ser a perfeição) a insatisfação torna-se nossa fiel escudeira, e...não conseguimos terminar as tarefas e, permanentemente , nos distanciamos das zonas de conforto.

Cada tempo de vida que vivemos é precioso.
O Budismo sugere que abandonemos o ideal da perfeição para conseguir realizar o possível desta experiência = simplesmente viver a vida.

Querer a perfeição pode ser até um mecanismo de defesa para não concluir etapas e não precisar encarar novos desafios.
Também pode ser uma forma de cultivar o stress para mostrar que somos super ocupados.
Além disso, e um pouco mais grave, pode ser preguiça disfarçada – porque, enquanto estamos otimizando os projetos, outros estão resolvendo o que sobrou para resolver.
O medo das avaliações negativas, baixa auto-estima, complexos de inferioridade também são motivações para o exagero na conquista da qualidade.

Você já descobriu onde exagera nessa busca do ótimo?
Limpezas profundas, modernizações, expectativas exageradas, cursos infinitos, salários inalcançáveis, ambição desmedida, roteiros lineares etc etc

A amiga Maria Elisa enviou o texto abaixo com sugestões para usarmos como espelho e .....simplesmente aprender a relaxar no bom.

Leila Ferreira é uma jornalista mineira com mestrado em Letras e doutora em Comunicação, em Londres.

Apesar disso, optou por viver uma vidinha mais simples, em Belo Horizonte...
(Leila Ferreira)
Estamos obcecados com "o melhor".
Não sei quando foi que começou essa mania, mas
hoje só queremos saber do "melhor".
Tem que ser o melhor computador, o melhor carro,
o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor
operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho.
Bom não basta.
O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os
outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor".
Isso até que outro "melhor" apareça -
e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer.
Novas marcas surgem a todo instante.
Novas possibilidades também. E o que era melhor,
de repente, nos parece superado, modesto, aquém
do que podemos ter.
O que acontece, quando só queremos o melhor,
é que passamos a viver inquietos, numa espécie
de insatisfação permanente, num eterno desassossego.

Não desfrutamos do que temos ou conquistamos,
porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter.
Cada comercial na TV nos convence de que merecemos
ter mais do que temos.
Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os
outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor,
comprando melhor, amando melhor, ganhando
melhores salários.
Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás,
de preferência com o melhor tênis.

Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos.
Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente.

Se não dirijo a 140, preciso
realmente de um carro com tanta potência?

Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que
subir na empresa e assumir o cargo de chefia que
vai me matar de estresse porque é o melhor cargo
da empresa?

E aquela TV de não sei quantas
polegadas que acabou com o espaço do meu quarto?

O restaurante onde sinto saudades da comida de
casa e vou porque tem o "melhor chef"?

Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado
porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro?

O cabeleireiro do meu bairro tem
mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"?

Tenho pensado no quanto essa busca
permanente do melhor tem nos deixado
ansiosos e nos impedido de desfrutar o
"bom" que já temos.

A casa que é pequena, mas nos acolhe.

O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria.

A TV que está velha, mas nunca deu defeito.

O homem que tem defeitos (como nós), mas nos
faz mais felizes do que os homens "perfeitos".

As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu,
mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo...

O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas
das histórias que me constituem.

O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e
sente prazer.

Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso?

Ou será que isso já é o melhor e na
busca do "melhor" a gente nem percebeu?

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