sábado, 13 de outubro de 2018

Quando a vizinhança perturba




Fui morar num prédio que os vizinhos do andar de cima eram super barulhentos na madrugada: moveis arrastando, Big Brother em alto volume, discussões acaloradas etc.
Como nessa situação praticar a paciência, a generosidade, a alegria e o desapego?
Essa é uma situação com vizinhos que também pode acontecer na família, entre amigos, no trabalho. Como praticar?
O trecho a seguir sobre como entender melhor o que é desapego foi inspirado no livro de Barry Magid “Mente comum”.
Segundo a visão budista os apegos (desejos ilimitados) são a causa da insatisfação.
Apegos ao controle, às crenças pessoais, às dependências, à própria imagem, às fronteiras materiais e afetivas – este é o resumo da origem das inquietações.
Reflita um pouco sobre tuas questões aflitivas e tente encaixa-las nesses 5 tipos de apegos.
Às vezes está num só, às vezes em mais de um aspecto dos apegos.
Entender o desapego é entender a impermanência.
Desapego não significa abandonar as coisas da vida, mas aceitar que elas se vão.
A tentativa não é se desapegar das emoções, sentimentos e de outras pessoas; mas sim das tentativas neuróticas e egocentradas de tornar as coisas e relacionamentos permanentes ou de fazer com que sejam da maneira como desejamos por nossos motivos egoístas.
Desapego também não aceitar passivamente o que está acontecendo.
Não conseguir dormir e aceitar não é paciência, é masoquismo; isto não é prática espiritual.
Tolerar além do viável uma pessoa caótica, não é prática espiritual se você não tiver meios hábeis para ajuda-la a se organizar e a não prejudicar outras pessoas. Ela, com certeza, precisa de um especialista (quando e se ele quiser). O melhor é mesmo manter-se afastado(a).
Desapego é responder às situações de modo não egocentrado.
Reconhecer que a vida não está sob controle e tomar as medidas apropriadas: conversar, procurar um mediador ou... mudar-se....ou se distanciar.
O verdadeiro desapego é evitar aumentar as confusões mentais e físicas dos outros e minimizar as suas próprias.                                                                                      

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Confusão da mente faz parte...


Confusão da mente,

“quando quero aquietar a mente parece que os pensamentos aumentam” ...
Durante o treino da meditação esse é um comentário frequente.
Na verdade, é um bom sinal.
Quando se começa treinar a meditar, os pensamentos parecem ficar tumultuados e parecem ter ficado mais selvagens do que antes.
Mas afirmo que este é um bom sinal.
Longe dos pensamentos terem ficado mais selvagens, isso mostra que você ficou mais quieto(a) e finalmente tomou consciência exatamente quão barulhentos os pensamentos sempre têm sido.
Não desanime nem desista.
Seja o que for que surja, continue sendo presente, retorne a atenção à respiração, mesmo em meio à confusão.
A meditação é uma ferramenta para chegar ao objetivo de aquietar a mente e conseguir compreender a realidade das situações além das aparências. Essa compreensão leva à liberação.
“Glimpse after Glimpse”
“Que ao me liberar eu possa liberar os outros!”
                                                                                      

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Medo do silêncio



Medo do silêncio é primo-irmão do medo do escuro.

Ouvi o relato que durante um retiro de silêncio uma das participantes “saiu da casinha”; na verdade provavelmente essa pessoa tinha ido procurar esse retiro para voltar “para a casinha”, mas não era o melhor tempo, mas não era a melhor forma.
Encontrei no livro de cabeceira:
 “Estamos tão viciados em olhar para fora de nós mesmos que perdemos completamente acesso ao nosso ser interior. Ficamos aterrorizados em olhar para dentro porque nossa cultura não nos dá ideia sobre o que vamos encontrar. Até podemos pensar que se o fizermos vamos correr perigo e enlouquecer. Este é o recurso de manobra que o Ego usa para nos prevenir de descobrir nossa verdadeira natureza.
Assim tornamos nossa vida tão agitada que eliminamos o mínimo risco de olhar para dentro de nós mesmos. Até a ideia de meditar pode trazer medo.
Quando se ouve os termos “sem ego” ou “vazio”, é possível pensar que experimentando esses estados sermos arremessados fora da porta e iremos flutuar numa nave e flutuar para sempre no escuro, arrepiante.
Nada pode estar mais longe da verdade.
Mas num mundo dedicado à distração, silêncio e quietude, isso nos aterroriza; nos protegemos através dos barulhos e negócios frenéticos.
Olhar para a verdadeira natureza da nossa mente é a última coisa que ousamos fazer.”

“Glimpse after Glimpse”vi o relato que durante um retiro de silêncio uma das participantes “saiu da casinha”; na verdade provavelmente essa pessoa tinha ido procurar esse retiro para voltar “para a casinha”, mas não era o melhor tempo, mas não era a melhor forma.
Encontrei no livro de cabeceira:
 “Estamos tão viciados em olhar para fora de nós mesmos que perdemos completamente acesso ao nosso ser interior. Ficamos aterrorizados em olhar para dentro porque nossa cultura não nos dá ideia sobre o que vamos encontrar. Até podemos pensar que se o fizermos vamos correr perigo e enlouquecer. Este é o recurso de manobra que o Ego usa para nos prevenir de descobrir nossa verdadeira natureza.
Assim tornamos nossa vida tão agitada que eliminamos o mínimo risco de olhar para dentro de nós mesmos. Até a ideia de meditar pode trazer medo.
Quando se ouve os termos “sem ego” ou “vazio”, é possível pensar que experimentando esses estados sermos arremessados fora da porta e iremos flutuar numa nave e flutuar para sempre no escuro, arrepiante.
Nada pode estar mais longe da verdade.
Mas num mundo dedicado à distração, silêncio e quietude, isso nos aterroriza; nos protegemos através dos barulhos e negócios frenéticos.
Olhar para a verdadeira natureza da nossa mente é a última coisa que ousamos fazer.”
“Glimpse after Glimpse”

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

O diminutivo significa....




Conheço pessoas que usam o diminutivo além do necessário ( na minha visão):
Peguei o dinheirinho que recebi e fui ao supermercado....
Dei uma arrumada no quartinho do meu filho....
Comprei essa roupinha para me sentir melhor....
Fiz um programinha super legal....
Me deu uma peninha do mendigo....
Me dá uma mãozinha aqui?....
Vou e contar uma historinha da traição....
Mina vidinha estava tão boa!!!!

Você conhece alguém que usa se comunicar assim?
Então...qual será a verdadeira motivação que leva a usar essas expressões?
O que você sente quando usa o diminutivo?

Você “chuta” alguma hipótese?
É uma desvalorização da ação?
É baixa-autoestima?
É não merecimento?
Ou é para se fazer de coitado? Ou azarado?
Medo de inveja?
O diminutivo traz consigo a ideia de diminuição, de tirar o brilho...também.

Penso que a hipótese de falta de espaço para ter, receber e doar cabe em todas as frases.
Sabe aquela idéia que quando a felicidade é demais começa aparecer o medo da tragédia que pode chegar?
Essa sensação é falta de espaço para ser feliz.
A gente pode ter falta de espaço para ter alegria, dinheiro, paz, segurança, realizações, beleza, afeto, generosidade, paciência, lucidez, saúde etc etc
É um complicador da vida. Pode até se tornar o padrão de que se “contenta com pouco”...e a vida vai trazer pouco...
Quando encontro pessoas que estão nesse clima, gosto de brincar repetindo suas frases sem o diminutivo...talvez ajude!                                                                                    

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Mascara de proteção




Hoje, segunda-feira, fui ao ambulatório médico e estava lotado.
Atendimentos com demora.
Reclamações de vários tipos:
Horário, políticos, preço dos remédios etc
Agora..ainda a falta de combustíveis.
Na tela da TV sem som o programa da Ana Maria comentando o casamento da cinderela que não vai mais receber boletos.
E um monte de reclamações.
Na capa do jornal sai a foto de uma máscara de proteção contra gazes!
Contra gazes?
Não.
Contra pessoas toxicas.
Tem muita gente reclamando.
Será que coloco a máscara?
Vai resolver?
Não resolve.
É melhor sorrir (internamente) pra não permitir que as reclamações “colem”.
Sorrir e agir desarmado.
Sorrir evita que as situações nos arrastem.
A vida é só um sonho, logo vamos acordar.
Buda afirmou: “Manifestei um corpo de sonho para seres de sonho, imersos em sofrimentos de sonhos. Eu não vim, eu não vou.”                                                                                     

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Em busca de seus sonhos




Agradeço todos os votos que recebi, OBRIGADA DO CORAÇÃO e gratidão  por você fazer parte dos meus sonhos realizados.
A cada mensagem que lia fui relembrando os encontros  e aproveitei para refletir sobre o que realizei nestes 67 anos.
A vida é um um jogo em que sempre conseguimos passar para fase seguinte.
Pais, avós, tios, ex-marido já não estão mais por aqui; mas ainda estão o irmão, os primos e amigos antigos para despertar as memorias da 1ª e 2ª fase.
Junto com os filhos, genros, nora, netos, sobrinhas, amigos novos e o novo marido continuamos na estrada fazendo a história da 3ª fase.
Quando visitei os parques da Disney achei linda a ideia quase romântica que sugeriam:
Corra atrás de seus sonhos.
Em outros lugares também ouvi a mesma sugestão.
Anos depois li um alerta do psiquiatra Yalom que arrepiou: reparar na importância de
aprender a se despedir dos nossos doces sonhos.
Vários anos se passaram e ontem assistindo o filme “Viajantes e mágicos” de Khyentse Rinpoche ( o mesmo cineasta do filme “A copa”) vi a cena do personagem que contava  ao monge que estava indo embora de sua cidade no Butão em busca do seu sonho na América.
Ao que o monge respondeu:
“A questão é que sempre acordamos do sonho.”
A segunda questão dos sonhos são as expectativas: reais ou ilusórias.
A terceira questão é que os sonhos apenas se realizam no FUTURO com quando plantamos as sementes no HOJE e fazemos as escolhas adequadas.
Realizei muitos sonhos.  Nem sempre a caminhada foi fácil. Escolhas têm sempre seu preço.
Faz parte do jogo.
A chave é sorrir sempre.
E fico pensando: o que mais vou plantar para os próximos tempos ?
Depois eu conto.
                                                                                  

quinta-feira, 17 de maio de 2018

A família da nossa mente




Assim como o oceano tem ondas, o sol tem raios, assim também a radiância da mente tem seus pensamentos e emoções.
O oceano tem ondas e não se perturba com elas.
As ondas são a verdadeira natureza do oceano.
Ondas surgem, mas...para onde voltam?
_De volta para o oceano.
E...qual é a origem das ondas?
_ O oceano.
Da mesma forma, pensamento e emoções são radiâncias e expressão da verdadeira natureza da mente.
Eles brotam da mente, mas...onde se dissolvem?
_De volta na mente.
O que quer que surja, não veja como um problema.
Se não reagir impulsivamente, se for paciente, essa sensação voltará para sua natureza essencial.
Quando isso é entendido, o surgimento dos pensamentos incrementam a pratica.
Mas quando não for entendido o que a radiância da natureza de mente é intrinsicamente, essas sensações serão sementes de confusão.
Portanto, é importante ter uma atitude espaçosa, aberta e compassiva com os pensamentos e emoções.
Porque...os pensamentos e emoções são nossa família, a família da nossa mente.
Como Dudjom Rinpoche sugere: “seja delicado e sábio, olhando (as situações da vida assim como olha) como uma criança brinca.”
........
Assim ouvi de Sogyal Rinpoche.
                                                                                 

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Ensinamento de base.




Dia 30 de Abril, 8h da manhã, abro o aplicativo do Awake e encontro ensinamento de Lama Padma Santem:
“mesmo em nossa condição limitada, a mente ilimitada opera o tempo todo – não existem 2 mentes. A mente ilimitada é a base das mentes limitadas. Quando a compaixão se manifesta, é como se o esplendor luminoso dessa mente ilimitada surgisse no horizonte como a claridade que antecede o sol.”
Simples assim: a compaixão nos coloca em contato com esse lugar que não muda enquanto tudo muda.
Compaixão é o estado mental que surge quando largamos os desejos do Ego de apego e aversão, sorrimos e transformamos reação em ação para trazer benefício aos seres e nos alegramos por suas descobertas.   
______________________
Compaixão = bondade que surge quando baixamos as armas e as defesas.                                                                                

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Solidão silêncio solitude



Gosto de ir ao emissário em Santos e ouvir o silêncio.
Ouvir o silêncio da minha mente... embalado pelo som das ondas do mar e pelas ondas vermelhas da Tomie.
Mas às vezes não dá e preciso encontrar esse silêncio no meu quarto mesmo, dentro do carro, no chuveiro, no fogão, na música.
Silenciar os pensamentos é um alívio...como se tudo já estivesse resolvido.
Esse silêncio luminoso é o início do encontro com a solitude.
Solitude é esse espaço agradável de se ser nossa melhor companhia.
Solitude é o que surge no refúgio interno.
Solidão é drama, é mimo, é “umbiguite” como diria nossa amiga Sophia: eu abandonado, coitadinho de mim.
Na solitude, inspirações que encontramos nos outros e no mundo, encontram um sentido.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Tempo de descobertas





Você já ouviu falar sobre o retiro de silêncio Vipassana?
Interessante!
Resultados que me surpreenderam ainda com pouca pratica.
Estou aprendendo bastante com os ensinamentos e técnica do professor Goenka.
Entre vários assuntos, refletir sobre os movimentos da mente é instigante.
Um dos pontos importantes dessa observação é aprender a treinar a mente/cérebro para ser uma ferramenta útil ao invés de ser uma ditadora com seus impulsos incontroláveis de gostar (muito) ou sentir (profunda) aversão determinando nossas escolhas.
Temos sido escravos desses impulsos.
Estamos viciados em sensações internas; corremos atrás delas, seja a de ter uma roupa nova, rever um amigo, saborear uma comida, receber um carinho, descobrir novas paisagens . Ou...a sensação de alívio de afastar uma ameaça, evitar um ser que critica, até de uma doce vingança etc.
Desejar não é o problema, o mundo gira porque desejamos soluções.
O problema é quando essas sensações nos controlam e se transformam em desejos ilimitados. Uma roupa só não basta, preciso duas. Um brigadeiro só não satisfaz, preciso quatro e assim vai. Uma explicação só não elucida, queremos varias.
Observar as sensações que nos controlam é um bom começo.
Para começar:
  silêncio não é apenas parar de falar é, principalmente, calar os pensamentos que circulam na mente com energia inesgotável, sem parar.
Calar como?
Prestando atenção ao respirar. Estar total no momento do AGORA.
E observar os pensamentos invasores:
Lembranças do passado recente ou não.
Lembranças agradáveis ou desagradáveis?
Ou....hipóteses de situações futuras, distantes ou próximas.
Hipóteses agradáveis ou desagradáveis?
Quando saímos do AGORA a respiração se altera; se altera por situações de apego (pequeno ou grande), se altera por situações de aversão (pequena ou grande).
No AGORA a respiração é serena.
Observar o corpo sem críticas; só observar. Onde dói, coça, onde formiga, aquece, arrepia, aperta....
Voltar a atenção à respiração, voltar ao agora, usar a nossa energia no AGORA.
VIVER O AGORA.
Isto é só o início da brincadeira.
Depois é treinar AGIR ao invés de REAGIR; simples assim!
Simples .....??????
Primeiro passo: querer realmente encontrar serenidade.
Muiiiiito interessante!
Passeie pelo site abaixo para saber mais sobre Vipassana.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Por que as situações ficam difíceis?




Situações difíceis são o que chamamos sofrimentos; sofrimentos menores e os maiores.
Na verdade, insatisfação em vários graus.
A insatisfação está sempre ligada a apegos.
  1. Apegos às gratificações sensoriais: prazeres físicos, SENSAÇÕES agradáveis, que vão fortalecendo os “vícios”. Somos viciados em sensações; somos viciados em desejar. Assim que satisfazemos um desejo, criamos outro. Por isso a felicidade está sempre adiante. O objeto do desejo não é tão importante. O que importa mesmo é o que este objeto produz em nós. Sejam relações, comidas, visitas, hábitos etc.
  2. Outro grande apego é ao EU, EGO = imagem que temos de nós mesmos. E que trabalho dá defender essa identidade que pensamos ser... que trabalho manter a imagem e impressionar com ela. E quando ela se sente ameaçada....sai de perto!
  3. O próximo apego é ao MEU, ampliamos o campo a tudo que nos pertence: filhos, território, títulos etc. Mas... como tudo é impermanente, esse “meu” é falso. Nada é meu, eu apenas “ganho” o direito de conviver com e nas coisas.
  4. O apego vai ainda mais longe; vai até as CRENÇAS. Que trabalho defender as crenças, opiniões, pontos de vista e tentar comprova-los; e que sensação ruim ao ouvir críticas e não ser aceito!
  5. Por último o apego às RELIGIÕES E FILOSOFIAS. Esquecemos que a importância fica na essência, no seu significado fundamental e que o aspecto formal é apenas uma casca. Importante é com que mente fazemos as práticas, as intenções que nos motivam: atenção aos outros, bondade, ausência de preconceitos sem expectativas.

Quando caímos na armadilha de qualquer desses apegos, é certo que vamos ficar tristes e sofrer.
Como exercício observe as pessoas que estão atrapalhadas em seus sofrimentos e confira em que apego estão presas.                                                                                  

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Perdoar não é esquecer




Não é esquecer, é libertar.
Libertar a nós mesmos do passado.
Libertar outros para que sigam seu caminho em busca da felicidade e nós o nosso para tentar ser feliz.
Não perdoar ou sentir dificuldade para perdoar é como uma vingança; uma vingança de não dar oportunidade ao outro ser feliz.
Que engano! Quando não conseguimos perdoar somos nós que ficamos sem poder ser feliz com leveza e fingimos a felicidade.
Mas, como dizia Buda, vingança é uma pedra em brasa que antes de ferir o outro, queima nossa mão.
Mas existem situações difíceis de perdoar.
Há muitos anos aprendi uma frase que ajuda.
Quando caio na armadilha de tristeza por algo que vivi com um “Mestre de treinamento”, ou uma “Pessoa Famosa” repito, repito, repito:
“Eu te perdoo......(nome) por não ser o(a).......(amigo(a), marido, filho (a), chefe, vizinho, Mestre etc) que eu esperava que você fosse.”
Eles são o que podem ser.
Eu sou o melhor que consigo ser.
E...tudo passa.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

A Caminho de La Paz




É um filme argentino que vive o encontro entre um motorista e um islamita a caminho de Meca.
Nesse caminho acontecem outros vários encontros interessantes que pode ser uma boa reflexão.
Numa das reuniões religiosas o Mestre comenta:
No tripé da falsa personalidade (identidade) o caráter é formado por medo, preguiça e orgulho.
Medos, todos temos; medo de adoecer, de ser assaltado etc
Orgulho, todos temos; é a importância pessoal.
Preguiça, é o que fazemos tentando ficar sempre na superfície, atitude de não querer aprofundar, de não querer saber mais sobre a vida e a morte.

Sabedoria, a Verdade, não tem fronteiras.                                                                                   

quinta-feira, 29 de março de 2018

Liberando tensões e medos




Como se liberar dessas sensações aflitivas que nos engaiolam?
A gente tem pressa de se livrar disso; mas, muitas vezes, quanto mais tentamos mais elas ganham importância. Vão ganhando importância e espaço.
Então aqui vai uma sugestão que deu certo para mim e para outras pessoas.

Depois de fazer respirações profundas, adote um ritmo de respiração tranquilo, sem esforço.
Imagine que sua mente é um espaço aberto, vasto, expansivo e sem fronteiras. Pense em seus pensamentos, sentimentos, emoções, expectativas e medos como nuvens, que se formam e depois desaparecem nesse vasto espaço aberto.
Perceba que todos esses pensamentos (“eu queria estar mais calmo”, “ele disse isso e aquilo”, “não posso esquecer de fazer isso, etc etc...”) e todas as emoções (“me sinto inquieto...magoado...confuso) são insubstanciais como as nuvens.
Imagine que eles vão surgindo, um por um, e desaparecendo na amplidão limitada de sua mente.
Depois descanse um pouco, mantenha-se nesse espaço, sinta-se calmo e relaxado – ou, pelo menos, imaginando se sentir assim.
Fique em silêncio desse jeito de um a dois minutos.

Assim aprendi com Thupten Jinpa.


quinta-feira, 22 de março de 2018

Quem pode ajudar?




Em meio às aflições é inteligente buscar ajuda.
Ajuda de um médico, um terapeuta, um professor... confiável.
Alguém que ouça com interesse, sem preconceitos, sem julgamento.
Alguém que possa oferecer uma saída viável.
A questão é que a solução, o alívio sempre vai contar com nossa participação.
A questão é que o assunto não se resolve fora, o assunto é sempre interno.
Não dá para mudar fora, mas dá para mudar nossa posição.
Aí tem um texto que Shantideva, autor budista indiano do século VIII , oferece  uma analogia:
“se tentássemos cobrir a face da Terra com couro para proteger nossos pés, onde encontraríamos couro suficiente? Em vez disso, podemos cobrir a sola de nossos pés com sapatos de couro e atingir o mesmo propósito. A melhor solução para um problema é aquela que você pode encontrar dentro de si.”
                                                                                 

quinta-feira, 15 de março de 2018

Na hora da indignação




Sabe aquele momento que você percebe a falta de bom senso da pessoa? Do absurdo em que ela está caindo?
Aí dá aquela raiva... dá uma revolta...uma indignação.
Reagimos... até muitas vezes por amor; por um amor aflito.
Chega aquele momento em que é a gente que está “pondo o pé na jaca”, “botando a pata na poça”, “rodando a baiana” na hora imprópria, escolhendo um tratamento diferente etc etc. Você conhece esses momentos.
Às vezes são escolhas e mudanças que fazemos que não agrada a todos.
É tão confortável quando encontramos alguém sensível às nossas necessidades.
Principalmente nas relações de maior intimidade em que um dos lados se sente mais vulnerável como é bom encontrar quem nos ofereça sua bondade e compreensão, não julgamento e recriminação.
Quando alguém já está com medo e inseguro de que adianta a gente dizer: “onde você
estava com a cabeça? Eu falei!” é a última coisa que se deve dizer.
Mesmo que você esteja certo, às vezes não é hora de estar certo.
Não se deve penalizar alguém que já está sendo punido.
“Não se deve chutar cachorro morto.”
Thupten Jinpa, me relembrou isso na hora certa. Serve para todas as outras horas.                                                                                    

quinta-feira, 8 de março de 2018

Egoísta ou generosos(a)


 Egoísta ou generoso

Relendo a biografia de Flavio Gikovati reencontrei sua proposta de olhar os papeis que as pessoas praticam nas relações; relações divididas em 2 blocos:
os generosos e os egoístas.
Relações são experiências desafiadoras.
É um jogo.
E esse jogo é mediado por véus carmicos, marcas mentais impulsivas.

O generoso quer agradar, se esforça por agradar, sente a necessidade de estar disponível, se sente culpado por não agradar totalmente. Sente necessidade do reconhecimento, é carente.
O egoísta, é acomodado, se sente importante, insatisfeito, pouco interessado em conhecer o outro, reclama sempre que não recebe atenção, demonstra insatisfação e críticas constantemente. Carente, nunca quer estar só.
Diferente do individualista, que curte viver só.

Nessa relação, generoso/egoísta, a neurose dita as regras.

A lucidez do autoconhecimento nos libera desse jogo, o reconhecimento das nossas carências e dos complexos de inferioridade e dependência que nos afligem consegue reconstruir nossa autonomia.
Essa autonomia nos coloca numa posição adulta nas relações.
Entender o jogo promete a sensação de liberdade interior.


"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas, satisfazê-los. Tenha em mente simplesmente ser autêntico e verdadeiro..."
Dalai Lama.



quinta-feira, 1 de março de 2018

Viver como turista




Esta foi uma das sugestões de Tenzin Rinpoche.
Estou recebendo vários vídeos e fotos de amigas que estão viajando.
O olhar de interesse e bom humor está em tudo compartilhado:
um bebê cheio de casacos quase imóvel, obras de arte abstratas grandiosas  no meio da praça como portais,
arvores cobertas por neve, novas comidas, cachorros com sapatos a prova de neve, descobertas do lugar que será casa durante uma semana; sustos, risadas,
esperas.
O turista não quer guardar tudo que vê, nem quer decorar seu quarto de passagem; o turista inteligente não tem tempo para tirar satisfação, nem perder tempo.
O turista anda com a pouca bagagem que consegue carregar.
O turista desfruta das guloseimas que encontra. Mas não fica com medo da falta e não carrega para o quarto mais do que vai comer.
O turista está sempre a espera da próxima novidade.
Para o turista cada dia é um dia totalmente diferente e novinho e tem que ser aproveitado porque nunca haverá outro igual.
Se o turista for pontual a viagem ficará mais repleta e divertida.
Conservar boas relações no passeio garante a diversão. O olhar apreciativo é uma boa dica.
A vida é uma viagem.
Resta a nós apenas lembrar todos os dias de cultivar o olhar de turistas, brincar de ser turistas...até o final da viagem.
Aproveite essa oportunidade!
                                                                                     

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Medo de perder as dores




Aprendemos práticas de acalmar, encontrar um olhar apreciativo para as circunstâncias.
Ficamos felizes com nossa dedicação mas de repente....chega uma sensação de estranhamento.
Será que a motivação está indo embora?
O que faltou aprender?
A alegria parece que tinha chegado para ficar!?!?!
Faltava tão pouco para acalmar e serenar...
A conexão deu um curto? Ou o defeito é da gente?
O calor está sumindo.
O que aconteceu com o entusiasmo inicial?
A insatisfação volta a crescer. A sensação é que a pratica não funciona mais.
Deu tanto trabalho para remover a dor?!?!?!?
Será que estava apegado à dor? O que aconteceu depois da remoção?
“Na dor, discutia com amigos, tinha atenção da família, conversava com que estava na mesma dor, até fiquei amiga do meu medico por causa dessa dor. O grupo de apoio me cuidava por causa dessa dor.
O que vou fazer se não tiver mais essa dor?
Meu mundo ficará vazio...”
Parece exagero? Consciente ou inconscientemente, temos medo de perder o que nos é familiar, mesmo que seja a dor.
Esse é um ensinamento que encontrei em “Despertando o corpo sagrado” de Tenzin Rinpoche e “Mania de sofrer” de Bel Cezar
Depois de remover a dor é preciso se reinventar, descobrir outras criatividades, descobrir e valorizar a liberdade e autonomia.
As dores não nos deixam importantes!
 Quando as alimentamos neuroticamente ficamos cada vez mais solitários e fracos. CUIDADO!!!!                                                                               

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Quem sou eu?



Quem sou eu verdadeiramente?
Esta foi a pergunta que me fiz depois da separação.
Dizem os ensinamentos que sou as possibilidades infinitas, sem fronteiras; sou esse céu puro, luz pura, consciência pura, calor puro.
Sou amor , compaixão, fogo.
Ou...sou espaço, consciência, calor.
Ou...essência, natureza e compaixão.
Belas palavras!!!! Verdades !!!!
Mas... na hora das separações e mortes essas palavras não resolvem imediatamente as dores; essas dores estão num plano mais grosseiro.
Sentir-se sozinho é uma barra.
O que resolve mesmo depois do “luto” é descobrir aos poucos um propósito para a vida senão ....morremos junto.
Encontrar respostas para:
_”o que você vai fazer com sua vida?”
_” por que  e por quem você quer continuar vivendo?”
Nossas aflições são gritos por socorro, por força e por bondade.

A solução é deixar-se ficar receptivo, corajoso (a), paciente.
E..aos poucos... olhar para vida para encontrar formas de compartilhar seu amor mais profundamente com outras pessoas.
Prestar atenção aos outros e dedicar-se gera gratidão de quem recebe e ajuda a “fechar” o buraco da solidão.                                                                    

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Renovando as forças




Era uma vez, muitos anos atrás, houve uma época da minha vida que não conseguia entender como estava passando por tanta dificuldade.
Dedico o texto de hoje a um conhecido que também está passando por uma fase destas.
Nasci numa família que me proporcionou bastante conforto. Tive um casamento com “pompa e circunstância” publicado em jornais, viagem, endereço fora do Brasil e anos depois.....todos os negócios se “derreteram” como os castelos de areia na praia.
Sabia estudar, viajar, usar o dinheiro que chegava etc etc mas...não sabia cozinhar, cuidar sozinha de bebes, trabalhar e todas as “magicas” que a gente precisa fazer quando o dinheiro vai terminando.
Momentos que a gente não sabe como encontrar a estrada certa.
Muitos desdenhavam dessa precariedade que vivíamos e outros pensavam que era um disfarce.
Mas como tudo passa , TUDO MESMO, essa época passou.
Parecia um pesadelo que não tinha fim.
Hoje, com a vida estável e filhos encaixados em suas histórias, olho para trás e parece até que foi em outra vida....
Deixou cicatrizes, gratidão e aprendizados; muitos aprendizados.
Nessas horas, autocompaixão, humildade e coragem é o que salva.
Autocompaixão para continuar sorrindo.
Humildade para pedir ajuda.
Coragem para seguir em frente com energia.

O cultivo da autocompaixão é como um reabastecimento da fonte de bondade e compaixão que reside dentro de nós.
Autocompaixão é como recarregar nossa bateria interior para ter mais compaixão e bondade para oferecer aos outros.
Com mais autocompaixão nos protegemos do esgotamento do pessimismo e do desespero que enfrentamos quando topamos com os desafios ´às vezes – enormes da vida.
Nem precisa ser momentos tão graves; pode ser aquela hora em que nos perguntamos:” por que comigo?”, “não consigo entender”, “isso não é para mim”, “sempre escolho a pessoa errada e o lugar errado” etc

Com mais autocompaixão evitamos ficar presos na autocritica e no derrotismo.
Com autocompaixão entendemos os momentos que sentimos inveja dos que estão acima,  desistimos de competir com os iguais e nos perdoamos pelo desrespeito por quem está abaixo.
Autocompaixão é se acolher sem julgar. É ser nosso melhor amigo, um momento precioso para aprender se fazer companhia.
E nesse momento é bom ter um refúgio externo na natureza e aprender a encontrar refúgio interno através da quietude, do silêncio e do espaço da mente para despertar nossas qualidades que sempre estiveram lá.
Às vezes precisamos de ajuda para encontrar esse lugar.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Para nossos desafetos



Outro dia alguém próximo me fez sentir muito mal com determinados comentários.
Sabe aquele “mal” que dá vontade de largar tudo?
Apenas calei.
Senti várias emoções me invadindo e me controlando. Foram dores de palavras cruéis, desrespeitosas, até de mentiras em que não consegui me defender.
E fui procurar nos ensinamentos algum refúgio e explicação. Encontrei nas palavras de Mingyur Rinpoche.
Esses são momentos de avanço no caminho quando aprendemos a lidar positivamente com eles.
Claro que não foi a primeira vez nem será a última que vou passar por isso.
Então... 1º passo é reconhecer que:
A fonte dessas dores não é exatamente a pessoa que faz a ação, mas sim, a nossa reação em relação às atitudes da pessoa.
Para “curar” essas dores existem 3 opções e usei as 3:
1 – Deixar-se consumir pela raiva, culpa ou ressentimento (num primeiro momento, acolher as sensações).
2 – Reconhecer que tudo que foi dito se fosse numa língua estranha a você, não teria efeito nenhum: apenas uma boca falando.
3 – Perguntar-se se o que a pessoa disse foi para magoar ou estava apenas aliviando seus próprios medos: inseguranças, inferioridades, raivas, invejas, culpas e preconceitos.

Quando cheguei nessa terceira opção sai de minha “umbiguite” e curei!!!!!
Com certeza, pelo que conheço desse ser, não estava bem.
Por trás desses comportamentos hostis está sempre alguém que não está se sentindo feliz e não está se sentindo seguro.
Assim, sai dessa zona de dor e retornei ao lugar de me apreciar e recuperar a força.
A palavra em sânscrito para “ser humano” é purusha, que basicamente significa “algo que tem força”.
Desafetos hostis são seres que estão num “momento sem força”, estão engessados em medos.

E você sabe como é estar com medo !!!!

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Vaidade é problema?



Durante uma apresentação musical, senta-se uma senhora desconhecida ao lado e em poucos segundos mostra no celular a foto do neto que entrou na faculdade sem cursinho, conta sua história, discursa sobre sua independência e seus conhecimentos, seu cachorrinho de raça.....
Vaidade é problema ; vaidade faz parte de ser humano.
É gostoso se sentir importante.  Querer chamar atenção para nossa importância.
Se sentir importante para nós mesmos e para outros.
Somos seres vaidosos.
Mas de onde vem essa sensação, essa energia?
Parece que vem de precisar ser reconhecido, de precisar ser olhado.
Vem de uma criança em busca de aconchego que permanece viva dentro de cada um de nós.
A vaidade surge de várias formas: nas roupas que escolhemos, como andamos, como nos apresentamos, falamos etc
Vaidade é a necessidade de ser notado; ser notado pela aparência superior, pela riqueza, pelos sucessos ou pelo resultado dos filhos etc.
Mas a vaidade também aparece numa forma distorcida nos dramas que fazemos, por símbolos de rebeldia, pelo vitimismo carente e até pela negligência – os desapegados.
Sem falar na vaidade das bandeiras ideológicas que alguns teimam em carregar.
Vaidade é também uma forma de se relacionar com a vida e com os outros.
A vaidade, resumidamente, é uma ferramenta de sedução: vaidade tem um componente erótico, buscar se exibir, buscar uma significância, quase um tesão. Pode até ter utilidade.
Veja a construção das redes virtuais; ferramentas contemporâneas tão importantes de comunicação e transformadas em palco das vaidades ridículas e falsas de todas as cores! O brilho impermanente da fama e (como diz Fernanda Montenegro) seu cortejo de horrores.
Mas...tem sempre um mas....o problema é ser escravo da vaidade. Precisar neuroticamente se sentir importante.
Reconhecer qual o destino que você está dando a tua vaidade vai fazer toda a diferença.
Muitas vezes a vaidade é inútil, é apenas um prazer pessoal.
Reconheço finalmente , aos 66 anos, que a vaidade cansa, cansa muito; é cara, repleta de detalhes e armadilhas do tempo.
Descubro também que a vaidade é prima-irmã do autoengano.
Um perigo quando a vaidade dirige nossas escolhas!!!!!!!
Passei a semana me divertindo descobrindo onde minhas vaidades “moram”....

Melhor ser livre da necessidade de querer ser importante.