quinta-feira, 17 de agosto de 2017

"Budha em Blue Jeans" 6





                              
Tai Sheridan

Continuando o texto da semana anterior.....
Seja quem você é

Não perca sua vida tentando ser outra pessoa.
Não desperdice sua vida tentando viver além de suas possibilidades.
Não perca sua vida imitando outros.
Não perca sua vida vivendo as expectativas dos outros.
Não perca sua vida invejando os outros.
Seja autentico.
Seja genuíno.
Seja real.
Seja você mesmo.
Você ganhou na loteria, você é você.
Você é Budha em Blue Jeans.
Divirta-se sendo você mesmo!

Você vai aprender isto no quieto sentar!

                                                                                       

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

"Budha em Blue Jeans"5

Tai Sheridan

Continuando o texto da semana anterior.....
A Dor é natural

A Dor é parte natural da vida.
Aprenda  aceita-la.
Aprenda como cuidar dela o melhor que puder.
Diminua as reclamações.
Diminua o autocentramento em volta dela.
Todos têm Dor.
Respire e relaxe na Dor tanto quanto puder.
Por favor, aceite a dor como natural.


Você vai aprender isto no quieto sentar!

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

“Budha em Blue Jeans”4


                             Tai Sheridan

Continuando o texto da semana anterior.....

Dê uma sala aos pensamentos:

Teus pensamentos são apenas teus pensamentos.
Eles não são tua vida.
Eles são teus pensamentos.
Faça uma sala tão grande quanto o céu na tua mente.
Teus pensamentos podem ser nuvens que flutuam nela.
Alguns dos teus pensamentos são claros.
Alguns dos teus pensamentos são confusos.
Acredite, são apenas pensamentos.
Uma mente aberta não é apegada a pensamentos e crenças.
Pensamentos podem ser uma prisão.
Observe eles vindo e indo, isso permite você brincar com o universo.
Por favor, observe seus pensamentos indo e vindo!

Você vai aprender isto no quieto sentar.    

quinta-feira, 27 de julho de 2017

"Budha em Blue Jeans" 3



Continuando o texto da semana anterior.....

Aceite seus sentimentos

Seus sentimentos são suas respostas viscerais e de coração ao mundo.
Tudo que você sente está certo.
Sentimentos ( e/ou emoções) podem ser difíceis.
Aceite seus sentimentos.
Às vezes você pode confiar neles como uma resposta honesta sobre pessoas e situações.
Às vezes você não pode confiar neles, são reações a pessoas e situações.
Organize isto.
Seus sentimentos vão te dizer o que realmente necessita.
Aprenda a ser gentil com tuas necessidades não atendidas.
Peça com gentileza o que você quer.
Respeite o direito de todos de dizer sim ou não para tuas necessidades.
Desista de ser autocentrado tanto quanto possível.
Por favor, divirta-se com seus sentimentos!


Você vai aprender isto no quieto sentar.      

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Budha em Blue Jeans 2


Resultado de imagem para buddha in blue jeans

                              
Tai Sheridan

Continuando o texto da semana anterior...
(o capítulo anterior está no blog)

Cuide de seu corpo

Seu corpo é sua vida.
Por favor, cuide bem dele.
Habite seu corpo.
Viva gentilmente dentro dele.
Machuque seu corpo o menos possível.
Você vai ficar surpreso com quantas vezes não se conecta com seu corpo.
É um aprendizado para toda vida.
Durma bem e o suficiente.
Coma bem e não demais.
Mova-se e alongue-se o suficiente.
Aceite e cuide de suas dificuldades médicas.
Você sabe o que seu corpo precisa para ficar saudável e vivo.
Por favor, divirta-se tomando conta de seu corpo!


Você vai aprender isto no quieto sentar. 

sexta-feira, 14 de julho de 2017

"Budha em blue jeans"


                             
Tai Sheridan

Nestas próximas semanas vou compartilhar os capítulos que traduzi deste livro.
Sugiro que escolha um momento tranquilo e leia cada texto em voz alta, calmamente.
Vou compartilhar sem propósitos comerciais e na sua forma original completa porque este é exatamente o desejo do escritor; e, se pensar que é interessante, compartilhe você também com teus conhecidos respeitando esses pedidos do autor
.
Tai Sheridan, Mestre Zen, poeta, psicólogo, seus livros transformam textos budistas clássicos em acessíveis e inspirados versos.
_____________________
Introdução
Este é um livro extremamente breve, simples e direto.
É um guia universal para praticar o quieto sentar e ser você mesmo, que é o mesmo que ser Buda. O quieto sentar pode ensinar você vários meios para aceitar a vida, se encontrar com a dor, agir com delicadeza e morrer sem remorsos.
Escrevi este livro por uma razão: encorajar você ao quieto sentar todos os dias.
Por favor, divirta-se sendo Budha em Blue Jeans: uma pessoa de presença, abertura, amor e beneficio.
Tai Sheridan
Kentfield, California 2011.
Dedicação
Ao Grande Silêncio
“Ouça o som do silêncio”
Paul Simon
Quieto sentar
Esta é a pratica Zen mais importante.
É uma aula para viver uma vida sábia e bondosa.
Sente-se em qualquer lugar e esteja quieto: num colchão, numa cama, num banco, dentro, fora, encostado numa árvore, à beira de um lago, de um oceano, num jardim, num avião, na cadeira de seu escritório, no chão, no seu carro.
Tapetes de meditação também tudo bem.
Sente-se a qualquer hora: manhã, noite, um minuto, 3 anos.
Vista-se com o que tiver.
Deixe a cintura livre para que seus pulmões possam se mover com sua respiração.
Sente-se o mais relaxado possível.
Relaxe seus músculos no início e durante o quieto sentar.
Sente-se com as costas retas mas não duras.
Mantenha sua cabeça (levemente inclinada) de forma que suas orelhas apontem para cima.
Respeite todas as recomendações medicas.
Fique na posição que conseguir.
Todas as posturas estão bem.
Faça como puder.
Deixe seus olhos levemente abertos mas não foque em nada.
Fechar os olhos vai te deixar sonolento, às vezes atribulado.
Respire pelo nariz com tranquilidade.
Divirta-se respirando.
Sinta sua respiração.
Observe sua respiração.
Torne-se sua respiração
Torne-se um gato ronronando.
Siga sua respiração como as ondas do oceano vindo e indo.
Quando se distrair, volte a mais simples e básica experiência de estar vivo, sua respiração.
É isso.
Sem crenças.
Sem programa.
Sem dogma.
Você não precisa ser Budista.
Você pode ter qualquer fé, religião, raça, nacionalidade, gênero, classe social ou capacidade.
Apenas sente tranquilamente, conecte-se com sua respiração e preste atenção ao que acontece.
Você vai perceber coisas.
Exercite quando quiser.
Você decide quanto é suficiente para você.
Se você o fizer diariamente, vai entrar em seus ossos.
Por favor, divirta-se no quieto sentar !

A única forma para aprender o quieto sentar é fazendo.    

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Ondes está a verdadeira natureza

                                                 
Seja na forma que a vida está, nossa natureza budica também está ali. E sempre está perfeita.
Se diz que não somente os Budas podem alcançar isso na sua infinita sabedoria, nem os seres sencientes conseguem roubar isso através sua aparente confusão.
Nossa verdadeira natureza pode ser comparada com o céu, e a confusão da mente comum com as nuvens.
Alguns dias o céu está totalmente obscurecido pelas nuvens.
Quando estamos no solo observando esse céu fica difícil de acreditar que existe algo além das nuvens.
Mas se estivéssemos num avião viríamos que apesar e acima das nuvens existe um céu claro azul sem limites.
Ali em cima, percebemos que as nuvens que acreditávamos serem totais, são tão frágeis e pequenas.
Sempre deveríamos lembrar: as nuvens não são o céu e não pertencem ao céu; elas só estão ali “penduradas” se formando e se desmanchando. Elas não podem manchar nem marcar o céu.
Os episódios difíceis da vida e os melhores também são apenas nuvens; eles não mancham nossa verdadeira natureza budica luminosa sempre presente, que é a nossa base para descobrir um olhar livre para os eventos.
Essa natureza budica lúcida e livre existe para TODOS os seres; alguns percebem e acessam sua existência, outros demoram um pouco mais.
A meditação permite acessar essa natureza.
(seguindo ensinamentos de Sogyal Rinpoche)


quinta-feira, 22 de junho de 2017

O que realmente resta na vida



Com a passagem do tempo tudo no corpo vai mudando, se dissolvendo (morrendo): células, neurônios, glândulas, pele, ossos...até as expressões do rosto e opiniões mudam dependendo da nossa “lua”.
O que chamamos da nossa verdadeira essência básica é um “continuum” de vida, é o que resta, é a base onde as aparências dançam, nada além. Essa a explicação da filosofia budista.
Hoje as coisas estão bem, amanhã um susto, no outro momento a solução, o humor vai mudando e assim vai a vida. De onde veem e para onde vão essas mudanças, o que elas representam?
O que pode ser mais imprevisível do que nossos pensamentos e emoções?
Você tem alguma ideia do que vai sentir ou pensar no próximo minuto?
A mente pensante é tanto vazia quanto impermanente, é transitória como um sonho.
Observe um pensamento: ele vem, fica e vai.
O passado é passado, o futuro ainda não surgiu, até o que você está pensando agora já é passado. A única coisa que realmente temos é o AGORA.
Prestar atenção à respiração, observar os pensamentos passando na mente e nas sensações dos sentidos SEM CONSTRUIR HISTÓRIAS e sem se deixar arrastar por eles, é estabilizar na verdadeira natureza livre.
Isso é um meditação também.
( seguindo ensinamentos de Sogyal Rinpoche)

                

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Meditar, simples ou complicado?

                      
Encontrei uma vizinha que comentou: fiz um curso de meditação, mas ficar com a mente vazia é muito difícil....
Respondo: não é só difícil como impossível. A mente pensante foi feita para pensar.
Muitas vezes as pessoas pensam que meditar é não ter pensamentos e emoções; e quando pensamentos e emoções aparecem, as pessoas ficam aborrecidas e desanimadas consigo próprias e imaginam que falharam.
Nada pode ser tão distante da verdade.
Um ditado tibetano diz sobre essa ideia: “meditar sem pensamentos é impossível como pedir carne sem osso e chá sem folhas.”
Enquanto você tiver uma mente cérebro pensante, você terá pensamentos e emoções.
Meditar é aprender a apenas sentar em quietude e observar o que está sendo projetado na “tela” pela mente do cérebro, pensamentos, emoções, situações, urgências, sensações.

Aos poucos você vai descobrir o que está por trás dessa projeção.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Para que repetir os ensinamentos?

                                           
O caminho para descobrir a liberdade da sabedoria da solidariedade, da ausência de egoísmo, os mestres nos avisam que é através do processo de escutar e ouvir, contemplar e refletir, e meditar.

Avisam também para ouvir repetidamente os ensinamentos espirituais. E a internet também nos facilita muito nesse processo.
Assim como vamos ouvindo, isso nos mantém relembrando, relembrando e relembrando sobre a sabedoria da verdadeira natureza que ainda está oculta.

Gradualmente, ouvindo os ensinamentos, certas passagens e intuições que aparecem neles vão tocar cordas curiosas em nós, memórias da nossa verdadeira natureza livre começam a pingar de volta e um profundo sentimento de familiaridade  essa liberdade irá despertar.

(seguindo ensinamentos de Sogyal Rinpoche)


                                           

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Para escolher um Mestre

                                                 

Dizem os ensinamentos que para escolher um Mestre e seguir os estudos é interessante observar se ele pratica tudo que ensina, ensina tudo que sabe, mantém suas praticas, tem olhar interessado e compassivo para os que o acompanham, não transforma o Darma em produto para obter lucro e, principalmente, pertence a uma linhagem nítida.
Um professor sem linhagem não é capaz de transferir bênçãos.
Conhecer o Mestre,o Mestre de seu Mestre e sua linhagem é importante porque tudo surge por dependência, tudo depende de causas e condições nada se auto-gera. Todos os Mestres verdadeiros tiveram Mestres.
É perigoso confiar em alguém que se autoproclame como revelador de um novo caminho para iluminação, já que não há como verificar a veracidade das suas palavras.
Quem será o professor externo?
Aquele com quem sentirá conexão?
Ninguém além do que a  corporificação e voz de seu “Mestre Interno”.
O Mestre que em sua forma humana e sua voz humana aprendemos a nutrir bondade amorosa mais que a outros é ninguém mais do que a manifestação externa do mistério da nossa própria verdade interna e sutil.
Nutrimos essa conexão porque esse Mestre consegue se fazer ser o espelho da nossa verdadeira natureza.
Sempre com o cuidado de olhar para seus ensinamentos, não para sua humanidade.
Que outra explicação haveria sobre a forte ligação que mantemos com eles?
Essa ligação é a pratica de Guru Yoga, é assim que fazemos uma ponte entre nós e nossa verdadeira natureza.

(seguindo ensinamentos de Sogyal Rinpoche e Dzongsar J. Khyentse)        

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Qual a lição do dia?

                                

Todas as situações são formas de ensinar.

Nossa natureza budica tem um aspecto ativo que é nosso “Mestre interno”.

A cada vez que ficamos obscurecidos, esse Mestre tenta incansavelmente nos trazer de volta para a radiância e para o espaço livre do nosso verdadeiro ser.
Em nenhum momento, esse “Mestre interno” desiste de nós.

Esse “Mestre interno” está e esteve sempre conectado a infinita compaixão de seres iluminados, inteligências sutis, trabalhando para nossa evolução; não somente nesta vida  mas também no passado, usando todos os tipos de meios hábeis e vários tipos de situações para nos ensinar, nos despertar e guiar de volta para a verdade.

Como teu “Mestre Interno” está te ensinando agora?

(seguindo ensinamentos de Sogyal  Rinpoche)



sexta-feira, 19 de maio de 2017

Recado de Buda

                               

Meditação é trazer a mente de volta para “casa” e isso pode ser alcançado através da atenção plena que hoje está na moda usar o termo “mindfulness”.

Uma vez uma mulher foi procurar Buda e perguntou como meditar. Ele disse a ela para permanecer atenta a todos os movimentos de sua mão enquanto ela estivesse puxando água do poço, sabendo que se ela fizesse isso, ela se descobriria rapidamente num estado alerta e de calma espaçosa que é exatamente meditação.

Não puxamos água de poço, mas podemos fazer isso cozinhando, nos lavando, escovando dentes, comendo, dobrando roupas , fazendo exercícios etc

( seguindo ensinamentos de Sogyal Rinpoche)



quinta-feira, 11 de maio de 2017

O Carma

                                                 
Na visão budista carma é ação; mas não uma ação comum. É uma ação que se repete e se transforma em aflição.
As ações/resultados que se repetem e nos levam para estabilidade e paz, recebem o nome de mérito.
Quando recebemos resultados de méritos, despertamos gratidão às nossas ações anteriores, expandimos essas alegrias e continuamos no compromisso de continuar trazendo beneficio aos seres através das 6 perfeições (paramitas) – paciência, generosidade, esforço constante, moralidade (ética), concentração e sabedoria (lucidez).
Na perfeição da generosidade tomamos o cuidado de perceber o que é mais necessário:
Oferecer proteção, oferecer apoio material, oferecer o que se aprendeu (quando perguntado) e/ou oferecer aceitação incondicional.
O carma que produz situações de aflição, sofrimentos, constrói prisões que parecem sem portas; sejam os sofrimentos de dores físicas e mentais, sofrimentos de perdas ou sofrimentos de duvidas e ignorância ( de não saber ou saber equivocado).
Por isso a sensação de felicidade se mistura muito ao desejo de liberdade.
É isso mesmo!
A liberdade está por trás dessas prisões; e elas não são assim tão solidas nem infinitas.
Ao invés de dar atenção à aflição, se motivar como cultivar méritos abre saídas dessas prisões do carma. Vamos nos distraindo e evitando repetir ações viciosas negativas, autocentradas.
Uma boa dica é cultivar olhar apreciativo seja qual for a situação e ...sorrir.
Sorrir sempre, tudo passa!


sexta-feira, 5 de maio de 2017

Quando baratas ameaçam.

                                                     

Além da consciência dos 5 sentidos, da consciência mental e da consciência que arquiva memórias conscientes e inconscientes, temos a consciência aflita que cria estratégias neuróticas para proteger nossa identidade, é o Ego.

Essa consciência aflitiva se apresenta através de 5 emoções principais:
1 – ansiedade / preocupações
2 – raiva / frustrações
3 – dependências / vícios
4 – orgulho / disfarces
5 – solidão / preconceitos

Essas emoções aflitivas são venenos mentais que nos fragilizam porque tentam demonstrar que a vida é uma constante ameaça.
Atrás de cada uma dessas emoções existe um fixação (apego) que escraviza:
Ansiedade ( no futuro) – apego ao controle
Raiva (no passado) – apego às crenças pessoais
Dependências (nas pessoas “importantes”) – apego à opinião dos outros
Orgulho (nas mentiras)– apego à própria imagem
Solidão (na exclusão) – apego aos seus limites

De cada uma dessas emoções nasce uma grande família de outras emoções menores mas importantes também.
Por trás dos apegos existe uma IMPORTANTE origem : os MEDOS. E atrás dos medos a IGNORÂNCIA.

Só nascemos com 2 medos: medo da queda e medo do estrondo, todos os outros vamos aprendendo com as figuras de autoridade de nossa infância. São medos condicionados.
Pessoas a nossa volta, na tentativa até de proteger, exageram, teatralizam e transformam (por exemplo) uma pequena barata num ser altamente perigoso e ameaçador que precisa ser eliminado, quase um dinossauro Velociraptor....


O auto conhecimento tem como objetivo exatamente desconstruir esse aprendizado e despertar o destemor.

Para ansiedade – treinar confiar
Para raiva – treinar entender o outro no mundo dele
Para dependências – treinar se auto valorizar e respeitar
Para orgulho – treinar ser natural
Para solidão – treinar sentir gratidão

E melhor que tudo: perceber a realidade atrás das aparências. Como será na verdade?

A MELHOR SAIDA É MANTER O SORRISO, O OLHAR APRECIATIVO E A MENTE GENEROSA.
PORQUE AFINAL.... A VIDA É UM GRANDE JOGO.


quinta-feira, 27 de abril de 2017

O que faço com os pensamentos

                             

Durante a meditação os pensamentos são como invasores...o que fazer?
Ensina Sogyal Rinpoche:
“Seja quais forem os pensamentos e emoções que surjam durante a meditação, permita que aflorem como as ondas do oceano. Não importa que você se perceba pensando, deixe esse pensamento surgir e aflorar, sem nenhuma limitação. Não se apegue a ele, não o alimente, não o desculpe, não se agarre nele e não tente torna-lo sólido. Não siga os pensamentos nem os convide; seja como o oceano olhando suas próprias ondas, ou o céu olhando para baixo as nuvens que passam através dele.

Você descobrirá rapidamente que os pensamentos são como o vento: eles veem e eles vão. O segredo é não “pensar” sobre os pensamentos mas permitir que eles voem da sua mente, mantendo sua mente livre depois que os pensamentos se forem.”

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Para conviver com ofensas



Sugestão do Mestre Tich Nhat Hanh:
use o mantra: “em parte, você tem razão”.
Quando alguém nos dá os parabéns ou nos critica, devemos utilizar esse mantra. Dentro de mim, eu tenho pontos fracos e fortes. Se você me elogiar, eu não devo esquecer que carrego pontos fracos em meu interior. Quando enxergamos coisas bonitas nos demais, tendemos a ignorar o que não é tão bonito. Sendo humanos, temos pontos positivos e negativos. Portanto, quando uma pessoa amada o elogiar, quando disser que você é a imagem da perfeição diga:
_ “em parte, você tem razão. Tenha em mente que carrego outras coisas dentro de mim.”
Fazendo isso, você será capaz de manter certa humildade. Você não será vítima da ilusão, pois saberá que não é perfeito. Quando alguém lhe fizer uma crítica, diga o mesmo:
“em parte, você tem razão”


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Quando a tempestade chegr

                                           
Maharaja no Budismo é a figura que “chega” para dar um susto e obrigar a gente a se reinventar, como aqueles momentos em que a tempestade chega na vida.
Nessa hora nada a fazer; o melhor é sentar, prestar atenção na respiração e no abdômen.
Prestar atenção no abdômen ajuda silenciar os pensamentos e a imaginação. Silencio das hipóteses, filosofias, ideias e crenças.
Quando a tempestade passar novos caminhos vão surgir.
Sempre lembrando: “ Já passei por outras tempestades; todas tempestades passam, nenhuma fica para sempre esta também vai passar e essas aflições também irão embora”.
Tchic Nhat Hanh tem um texto comovente para deixar sempre na mente:

“Onde quer que estejamos, onde quer que nos sentemos, haverá um rio de trilhões de estrelas sobre as nossas cabeças. Nós vivemos em um planeta, em um lindíssimo planeta, que está se movendo na Via Láctea. Quando nos sentamos com essa consciência, somos capazes de abraçar o mundo todo, desde o passado até o futuro. Quando nos sentamos dessa maneira, nossa felicidade é enorme.” 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Caminho da liberdade

 Comecei assistir a nova temporada de “Grace e Frankie” e não gostei mesmo, até uma ligeira aversão. O que é isso? Afinal apenas uma tela projetando uma invencionice numa noite de sábado.... Parece... mas não é apenas isso; ali está retratada as “viagens”, frustrações e decepções de mulheres com a idade que estou vivendo (depois dos sessenta). O que vi nesse “espelho”? essa é a questão. Interessante!!!!!! Aquela sensação brotou da coemergência entre minha mente e a projeção da serie na TV. Analisando: a liberação das fixações e poder “andar” pelas situações sem drama é a saída para se sentir livre e se sentir bem. O que são fixações? Todas as situações que abalam ; incomodam porque por trás há fixação. Fixação à tentativa de controlar ( ansiedade), a querer ter seu ponto de vista aceito ( raivas), a garantir sua dependência (inseguranças), a sua imagem ( vaidade)e as suas “fronteiras” (preconceitos). Destas 5 fixações surgem suas numerosas famílias. As fixações são filhas do Medo. O medo é filho da Ignorância. Tudo bem, entendido! Dá para reconhecer as fixações num breve exercício mas... e aquelas sensações desagradáveis em que não identificamos essas fixações???? Se não identificamos não mudamos. Fixações inconscientes aparecem por exemplo nos sonhos, aparecem nas aversões ou encantamentos assistindo filmes ou ouvindo histórias. Sim, porque fixações não são apenas a coisas desagradáveis, às sedutoras também; essas podem ser até mais perigosas, porque o ego gosta... Divirta-se nesse exercício e SORRIA, A VIDA ESTÁ TE FILMANDO !

quinta-feira, 30 de março de 2017

3 medos

Sentimos medo das dores, da morte e da pobreza. Dores, perdas e morte não ficam tão escondidas; mas o medo da pobreza é um fantasma. Quantas coisas decidimos por medo da pobreza...e nos subtemos: a empregos, a aventuras, a sonhos, a empréstimos, a relações... Medo da pobreza e de parecer pobre. Nas histórias de vários Mestres os vemos saindo de seus palácios, deixando a vida confortável e partindo sem medo da pobreza; ou ainda, sendo feliz de qualquer forma. Ainda existem os que se disfarçam de mais pobres com medo de ser explorado; bem ai é caso pra psicólogo. Pobreza escraviza? Como será que os Mestres fazem para se sentir livres em qualquer lugar? Ontem comentaram que me viam bem depois de uma fase difícil; o que fiz? Me reinventei. Me restaurei coo sugere a oficina de costura: Restaure o tempo. Restaure a energia. Restaure a fé. Restaure as atitudes. Restaure a liberdade. Restaure o sorriso. Restaure o caminhar. Mas principalmente restaurei a coragem. Restaurei Vajradhara, o princípio ou estado da mente dotado de DESTEMOR.

quinta-feira, 23 de março de 2017

A desconfiança que nos acompanha

Pela visão da filosofia budista temos 8 consciências: a olfativa, a do paladar, a visão, a tátil, a auditiva, a mental, a aflitiva e a das memórias . A consciência da mente aflitiva é reconhecida por delusões: raiva/ frustração, carência/ ciúme, ignorância/preguiça, desejo ilimitado/ estratégias obsessivas, vaidade/ artificialidade, inveja/ competitividade. Todas dentro da bolha do MEDO e o medo dentro da bolha da IGNORÂNCIA. No estado mental da inveja/ competitividade, chamado de reino dos semi-deuses, temos uma companhia constante: a DESCONFIANÇA. Com a desconfiança como parceira andamos sempre armados, olhando para trás; tentamos descobrir quem está nos enganando, onde estará o inimigo? ...na propaganda enganosa, no elogio exagerado, na generosidade gratuita, nas promessas de amor eterno, nas dietas milagrosas, nos seguros seguros, nas ameaças???? Também não é por acaso...quantas vezes a ingenuidade nos traiu e caímos em armadilhas! A questão é: a desconfiança permanente rouba energia , obriga a ficar vigilante para defender os direitos com causa ou sem causa. E a vida vai passando....e a saúde também. A desconfiança permanente é um estado neurótico que nasceu de um susto, que se repetiu, se fixou, ensinou a se defender com rigidez e ter um olhar caótico para as aparências. Resta agora desconstruir esse olhar, soltar, recuperar a CONFIANÇA NA NATUREZA LIVRE e construir um novo olhar. Em qualquer estado aflitivo é possível encontrar a desconfiança, que na maioria das vezes não vai encontrar o inimigo. Encontrar um caminho do meio seria muito bom; encontrar a atenção sem rigidez. Atenção com um sorriso. Porque mesmo com toda a atenção, nada é garantido, nem podemos confiar sempre, nem desconfiar permanentemente. Como diz o Lama, no Samsara o cobertor, para um lado ou para outro, é sempre curto. Mas... como comentou o neto Thiago: que bom viver soltinho!

quinta-feira, 16 de março de 2017

A serenidade é possível

A filosofia budista é um dos caminhos para encontrar nossa verdadeira natureza onde é possível desfrutar de uma liberdade natural nos momentos tranquilos e até mesmo nas situações desafiadoras. A liberdade natural é chamada de natureza primordial – um espaço luminoso e silencioso que não oscila enquanto tudo oscila. Foi esse espaço que Buda entrou, ficou e ensinou; é desse espaço que ele olhou para o mundo e para todos os seres e viu que todos nós poderíamos chegar aí – ricos e pobres, inteligentes ou não, estudados ou não. Esse espaço livre e lúcido, o Nirvana, é uma forma de olhar o mundo e seus seres. O Samsara, o espaço repleto de confusões, seduções e distrações apaixonadas, é apenas uma forma autocentrada de olhar o mundo e....sofrimento na certa. Por que? Porque queremos garantir os sucessos, garantir conforto e prazer e ...tudo muda, nada é garantido. È possível encontrar nossa natureza lúcida e livre, a serenidade; ela é uma base que sustenta todas nossas experiências. Como num cinema. Lama Padma Samten explora bem o exemplo da tela de cinema que exibe os filmes. Nossa mente lúcida é como a tela do cinema: se mantém limpa, branca, estável, vazia e luminosa enquanto os filmes vão sendo projetados. Os filmes começam, terminam e a tela continua impassível. Ao mesmo tempo, uma de nossas mentes é observa essas cenas e varias vezes se identifica e se perde, esquecendo que sua verdadeira natureza é a tela branca quando o filme termina. E todos os filmes terminam. Não tem como se apegar a eles. Esse é o jogo da vida. A dificuldade de perceber essa tela branca é resultado dos nossos pensamentos, memórias,julgamentos e emoções agitados e constantes. Meditar ajuda a acalmar os pensamentos e perceber nossa tela branca, lúcida, nossa base natural e serena enquanto o filme que estamos vivendo está passando. Essa base é o verdadeiro refúgio – o lugar onde nada muda enquanto tudo muda. Se quiser saber mais assista os vídeos “Estudando a prajnaparamita” de Marcelo Nicolodi no cebb Rio . E....treinamento, bastante treinamento.

quinta-feira, 9 de março de 2017

O drama nosso de cada dia

Uma fonte clara das aflições é o drama que colocamos no que vivemos e como contamos os sustos. O exagero nas aflições é reflexo de nossas raivas,medos, intolerâncias, frustrações e decepções. Tich Nhat Han, Mestre budista, sempre aconselha não exagerar nosso sofrimento, pois há destruição nessa amplificação. Não é só no sofrimento, é nas vitórias também. Nos 2 casos é fugir da realidade. Na verdade exageramos, colorimos com cores mais fortes, para ganhar plateia, para “aumentar nossa fama” e ganhar mais atenção – porque afinal continuamos mimados e carentes...frente a outros e frente a nós mesmos. Parece até que nossa biografia vai ficar mais interessante. Experimente descrever um fato, um susto ou uma vitória que levou sem usar adjetivos....vai ficar meio sem graça. Lembro uma amiga que dizia que não tinha graça me contar as coias porque eu repetia sem os adjetivos e não dava o efeito que ela desejava..... No caso dos sofrimentos o Mestre vietnamita usa como metáfora uma flechada: evidentemente esse primeiro golpe provocará dor ou alguma ferida.”Mas se, depois, uma segunda flecha atingir a mesma ferida seu sofrimento aumentará tremendamente. Seu exagero é como a segunda flecha. Um bom praticante não permite que a segunda flecha venha. Ela é seu desespero e sua raiva diante da dor inicial da primeira flecha.” O Mestre também comenta que a segunda flechada não vai apenas dobrar, vai tornar a dor 10 vezes mais intensa. “O desespero é uma flecha muito poderosa” Como diz Mary English em “Os monges e eu” muitas vezes ampliamos o que é e o transformamos no que não é.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Ciclo vicioso ou virtuoso

Somos seres de desejo. Nascemos de um desejo e vivemos desejando; faz parte da natureza humana. Desejo, apego, fazem partem da caminhada em busca de soluções para o conforto, para a saúde, para o conhecimento. A questão é quando isso se transforma em desejo ilimitado, em ganância, que escraviza e cega num ciclo vicioso de alcançar, garantir e aumentar. Buda acusou esse apego exagerado como o culpado pelos sofrimentos e Schopenhauer seguiu o mesmo caminho. Ele foi o filósofo que introduziu o pensamento indiano e alguns dos conceitos budistas na metafísica alemã. Foi a filosofia de Schopenhauer que serviu de base para toda a obra psicanalítica de Sigmund Freud. “ A ganância é a fonte de todos os nossos problemas. Desde que impermanência que para nós se traduz em angustia, a gente se agarra nas coisas desesperadamente, mesmo sabendo que todas as coisas mudam. Somos aterrorizados por deixar ir, aterrorizados na verdade de viver totalmente, desde que aprender a viver é aprender a deixar ir. E essa é a tragédia e a ironia da nossa luta para segurar: não só isso é impossível, mas nos trás as dores que estamos querendo evitar. A intenção por trás do apego não é por si mesma ruim; não há nada de errado com a vontade de ser feliz, mas o que estamos tentando agarrar é por natureza “não agarrável”. Os tibetanos dizem que não podemos lavar duas vezes as mãos sujas na mesma água do rio que corre e não importa quanto se aperte um punhado de areia, será impossível conseguir tirar óleo dele.”palavras de Sogyal Rinpoche Viver e conviver sem apego, desejo ilimitado, ganância e viver com cuidado, altruísmo e atenção, é transformar esse ciclo vicioso em ciclo virtuoso.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A verdadeira natureza

O que buscamos encontrar? Quem buscamos encontrar? Com certeza algo ou alguém que nos faça rir e que nos prometa a liberdade. Difícil.... Na verdade penso que é preciso sermos nossa melhor companhia. E para isso precisamos conhecer nossa verdadeira natureza. Nossa natureza livre e luminosa. “Em tibetano chamamos a natureza essencial da mente Rigpa – primordial, pura, consciência intocada - que é ao mesmo tempo inteligente, consciente, radiante e sempre desperta.. essa natureza da mente, na sua essência mais íntima, é absolutamente e sempre intocável pelas mudanças ou pela morte. No presente está escondida dentro de nossa própria mente, nossa SEM, envelopada e obscurecida por nossos pensamentos e emoções apressados. Assim como nuvens podem ser deslocadas por rajadas de vento para revelar o sol brilhante e o céu aberto, assim, sob certas condições, algumas inspirações podem descobrir para nós vislumbres dessa natureza livre e luminosa da mente. Esses vislumbres possuem diferentes profundidades e graus, mas todos poderão trazer alguma luz e compreensão, sentido e liberdade. Isto acontece porque a natureza da mente é a verdadeira raiz para a compreensão.”palavras de Sogyal Rinpoche Como encontrar esses vislumbres? Nos ensinamentos de grandes Mestres e no silêncio quieto da meditação. Desde que a consciência do momento presente é o Buda verdadeiro, Na abertura e contentamento eu encontro o Lama no meu coração. Quando percebemos essa mente natural infinita isso é a verdadeira natureza do Lama, Então não há necessidade de apego, avidez ou preces chorosas ou queixas artificiais. Simplesmente relaxando, no estado aberto, natural e descontraído, Obtemos as bênçãos da auto-liberação sem objetivo aconteça o que acontecer. Dudjom Rinpoche

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O mar ensina

O oceano é um Mestre. Olhamos a vida e vamos buscando respostas; algumas chegam, outras não vão chegar nunca. Faz parte dos mistérios da vida... vamos nos acostumando com as decepções e expectativas frustradas. Porque na verdade queríamos viver um conto de fadas...uma mentira prometida quando éramos crianças ingênuas. Com os anos deslizando vamos aceitando com mais delicadeza o correr do rio da vida; aprender a lidar com os finais e recomeços permanentes, na impermanência, é uma sabedoria reconfortante. Todos os encontros e desencontros, todas as situações vividas, conflitos e vitorias, calmas e aflições, luares e solares, são apenas ondas no oceano da vida. Quando as ondas nos pegam, importante é manter a calma e se deixar levar pela correnteza para sair pelo outro lado. Quando capturei o ensinamento das ondas do mar, que o oceano é muito maior e mais calmo que suas ondas pequenas ou altas, encontrei uma reflexão aliada e uma amiga incondicional para os tempos de tempestades e calmarias: “A onda no mar parece ter, de um lado, uma identidade distinta, um começo e um fim, um nascimento e uma morte; visto por outro lado a onda na verdade não existe, é simplesmente um comportamento da água, vazia de qualquer identidade separada mas cheia de água. Portanto quando você pensa sobre a onda, você compreende que foi algo que se formou possível temporariamente pelo vento e pela água e é dependente de uma serie de condições mutáveis constantemente. Você também percebe que cada onda está relacionada com cada uma das outras” Sogyal Rinpoche E assim vamos remando, nadando e... boiando sempre que possível.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Conhecereis a verdade

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, evangelho segundo João. Mataram o Juiz? Era a pergunta que rodava. Ou faria parte dos sustos que envolvem a vida? Mas como conhecer a verdade se as aparências enganam? Por qual lado você está olhando as aparências? Cada um usa suas memórias, interpreta as aparências ( visuais, olfativas, auditivas etc) segundo seus arquivos e decide sobre o que está experimentando e sua visão é formatada. Muito cuidado, calma. Até a ciência muda. Ovo provoca alta do colesterol? Salmão dá câncer? Trigo provoca aumento do abdômen? Só para iniciar a lista das “certezas”... Abrir o Facebook então...outras milhares de opiniões de especialistas. Um dos ensinamentos mais fortes que aprendi na sociedade Yamaguishi é perguntar continuamente frente às certezas, opiniões e pontos de vista: “ como será na verdade?” E com Mestre Thich Nhat Hanh : “você tem certeza?” por favor anote em uma grande folha de papel esta pergunta e pendure em algum lugar bem visível, onde não possa deixar de ver. E repita esta pergunta varias vezes. As percepções errôneas geram pensamentos incorretos e muito sofrimento desnecessário.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Sobre nossa "viagem"

Em tibetano a palavra “corpo” é lü, que significa “ algo que você deixa para trás”, como bagagem. Cada vez que você diz “lü”, nos lembra que somos apenas viajantes, tomando refugio temporariamente nesta vida e neste corpo. No Tibet as pessoas não se distraem gastando seu tempo tentando fazer as circunstancias externas mais confortáveis. Eles ficam satisfeitos se tiverem o suficiente para comer, roupas nas suas costas e um teto sobre suas cabeças. Indo, como nós fazemos, obsessivamente, tentando melhorar nossas condições, transforma-se num fim por si só e uma distração sem sentido. Poderiam as pessoas com bom senso pensar em redecorar meticulosamente seu quarto de hotel cada vez que ocupam um? Palavras de Sogyal Rinpoche. Guardados os exageros, com bom humor, esse lembrete pode ajudar a tirar o poder de nossas teimosias e caprichos em querer “enfeitar” demais nossas experiências.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Refúgios Sagrados

Não é admirável termos nos encontrado? Cada um de nós veio de lugares tão diferentes..... às vezes, até distantes e nos reunimos como amigos protegidos pelas bênçãos e ensinamentos de Mestres lúcidos e generosos. Mestres que deixaram e deixam pistas para encontrar um sentido melhor para o viver e para o morrer. Lembro quando, nascida numa família tradicional de formação católica, há 50 anos atrás entrei secretamente numa sala da sociedade Teosófica em SP e fui apresentada às sabedorias orientais. Lembro como fiquei emocionada, seduzida e encantada ao “abrir aquela porta”; ficou marcado como 5 de outubro de 1965. Eu tinha chegado ou retornado ao Tibet? Penso que os amigos que chegam também têm um pesinho no Tibet. Em algum nível da minha mente penso que comecei a desejar fortemente recriar um pedacinho do Tibet por aqui. Com ajuda da Sanga amiga, com tua ajuda, temos um pedacinho das sabedorias dos Mestres Tibetanos aqui em Santos. As salas de estudos, encontros e treinamentos para buscar métodos que levem a entender a mente em busca de serenidade são refúgios sagrados. Essas salas são bolhas especificas para acelerar nosso caminho para a lucidez, como comenta Lama Padma Samten nas suas últimas palestras em Pernambuco. Lugares construídos pelas bênçãos dos Budas, ou se preferir, dos seres sagrados. Seres sagrados é o nome dado às inteligências sutis que organizam as realidades. As salas de treinamento são como uma nave com a qual vamos andando; naves que foram “construídas” também por nossos méritos. Pode parecer uma “loucura” imaginar que estamos, no caso de Santos, construindo esse espaço a partir apenas de um olhar apreciativo para um depósito mal cuidado como era nossa Gruta budista, antes uma garagem. Um lugar onde hoje é possível treinar despertar uma mente desarmada e livre, além de acessar ensinamentos milenares sobre as inteligências sutis que nos levam a encontrar nossa verdadeira natureza luminosa. Um lugar onde é possível transformar obstáculos em vantagens e descobrir o destemor e bondade internos. Sejam todos bem vindos ao nosso refugio sagrado!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A inocência ferida

O psiquiatra Mark Epstein comenta que as pessoas procuram terapia para curar sua “inocência ferida”. A inocência é ferida quando nos sentimos magoados, ultrajados pelo modo como alguém nos trata ou como nos fala; nossa inocência fica ferida quando somos falsamente acusados, maltratados e desqualificados. Essa sensação tão desagradável, desperta a insegurança e expõe nosso egocentrismo: a necessidade de agradar, de ser elogiado, de ser admirado e reconhecido. Ou seja, nosso lado infantil carente. Aí...muitas vezes erramos o tom da resposta...magoados, irritados, raivosos, tristes, debochados etc. Mas....quem está fazendo os comentários, suas atitudes e opiniões a nosso respeito são seu espelho porque vemos os outros através dos elementos da nossa mente, através de nossas memórias, nossas experiências. É nosso mundo refletido no outro. Por isso a gratidão de encontrar pessoas que nos testem, tenho e tive algumas importantes. Elas são o melhor controle de qualidade da nossa maturidade. A resposta serena ( se possível, com um leve sorriso interno) a comentários deselegantes demonstra o quanto nosso ego mimado e medroso já perdeu o poder e o quanto nossa mente equilibrada já está no controle. Confesso que ainda falta bastante treinamento; mas quando consigo conviver com opiniões agressivas discordantes, avaliações deformadas, ouvir injustas criticas e percebo o quanto o outro está tentando se defender e está confuso, solto rojões internamente, me aplaudo porque a determinação para me conhecer está valendo à pena. É libertador perceber com compaixão o que é do outro e o que é verdadeiramente da minha mente. Que neste novo ano consigamos curar e vacinar mais um pouco nossa inocência ferida. Que este seja um bom ano de descobertas!